Novos nomes despontam na oposição
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2000
France Presse De Lima 
O surgimento de novos pré-candidatos de oposição com densidade eleitoral pode atrapalhar os planos do principal líder do movimento anti-Fujimori, o economista Alejandro Toledo (Peru Possível), de 55 anos.
Após ganhar notoriedade local e internacional no início do ano, ao conquistar o direito de disputar o segundo turno da eleição presidencial com o então candidato à re-reeleição, Alberto Fujimori, Toledo vem perdendo espaço no cenário político.
Toledo cometeu erros. Agora tem dificuldade em concretizar sua pretensão de ser o candidato único da oposição na eleição de julho do próximo ano, afirmou o cientista político peruano Fernando Tuesta.
Posição semelhante tem o diretor de Projetos do instituto de pesquisas Apoyo, Guilhermo Loli. Toledo estava sozinho no campo das oposições. Ele era a face visível do movimento anti-Fujimori, mas isso mudou. O governo soube minar a força de Toledo ao explorar duas de suas polêmicas manobras.
A primeira delas foi deflagrada no dia da votação no primeiro turno, em abril, quando Toledo instou uma multidão de mais de 25 mil pessoas que protestavam contra as supostas fraudes pró-Fujimori a seguir em marcha até a sede do governo.
Os manifestantes entraram em choque com a guarda do palácio presidencial, e, por pouco, a situação não ficou incontrolável.
Outra ação de Toledo questionada pelos aliados do governo foi a convocação de uma megamanifestação no dia da posse de Fujimori (28 de julho), com o objetivo de tentar impedir que o presidente assumisse seu terceiro mandato consecutivo.
Mais uma vez houve distúrbios, com um saldo de seis mortos no incêndio de um banco.
Ex-engraxate que ganhou uma bolsa para estudar nos EUA, onde se formou em economia pela Universidade de Harvard e trabalhou como funcionário do Banco Mundial, Toledo fez uma campanha surpreendente na eleição passada.
El Cholo (como é conhecido por causa de suas origens indígenas) saiu do quarto lugar e alcançou Fujimori, conquistando o direito de ir ao segundo turno contra o presidente que estava no poder havia dez anos.
Toledo, porém, renunciou à sua candidatura, denunciando a existência de supostas fraudes no sistema eleitoral em favor de Fujimori. O candidato à re-reeleição acabou vencendo sem adversários, numa eleição classificada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) como carente de limpeza e transparência.
Toledo agora enfrenta dois fortes adversários internos. Um deles é o líder da FIM (Frente Independente Mobilizadora), o congressista Fernando Olivera, 41 anos.
Enquanto Toledo fazia uma série de viagens por EUA, Europa e Ásia, Olivera foi responsável pela divulgação do vídeo no qual Vladimiro Montesinos (ex-principal assessor de Fujimori e chefe informal do serviço de inteligência) aparece entregando US$ 15 mil a um congressista, supostamente a título de suborno.
Com isso, o cacife do líder do FIM cresceu no jogo eleitoral anti-Fujimori, e ele passou a ser assediado por jornalistas e líderes oposicionistas de outros partidos.
Outro obstáculo para Toledo é a notoriedade alcançada pelo ouvidor público, Jorge Santistevan, 54 anos. Ele ganhou prestígio local e apoio da comunidade internacional ao tornar-se a única autoridade pública peruana em nível nacional a denunciar as supostas fraudes na eleição do início do ano e a trabalhar pela realização de eleições limpas.


