da France Presse

France PresseRefugiados de Ruanda continuam sua peregrinação pelo território do ZaireRUHENGERI, Ruanda - A província de Ruhengeri, noroeste de Ruanda, viveu uma semana sangrenta, com 93 pessoas assassinadas, entre elas 28 nas mãos do exército ruandês, revelou ontem à AFP o governador da região, Ignace Karuhije.
O exército ruandês, dominado pela minoria tutsi, abateu 28 camponeses que haviam fugido dos soldados durante uma operação levada a cabo terça e quarta-feira em três municípios da província, indicou o governador.
Karuhije atribuiu as outras mortes aos membros das ex-Forças Ruandesas (FAR, hutus), e aos milicianos hutus interhmwe. Mas alguns depoimentos recolhidos acusam de novo o exército.
Esta onda de violência ocorre após o ataque contra várias organizações humanitárias a 18 de janeiro passado em Ruhengeri no qual três membros espanhóis de Médicos do Mundo morreram assassinados e um simpatizante americano ficou gravemente ferido.
‘‘Vinte e quatro pessoas foram assassinadas pelo exército no município de Mukingo, e mais quatro nos municípios de Kigombe e Nyakinama’’, acrescentou o governador.
‘‘O exército queria identificar as pessoas que vivem nos arredores de Ruhengeri. Mas as pessoas frequentemente são surpreendidas, têm pânico e comportamentos que fazem crer que pertencem aos grupos armados (extremistas hutus)’’, disse Karuhije.
‘‘Têm medo, fogem. São confundidos facilmente com as pessoas procuradas. Então são pegos e fuzilados. Houve 28 mortos’’, explicou o governador.
Karuhije atribuiu os outros ataques aos extremistas hutus. ‘‘Na noite de domingo para segunda, 13 pessoas morreram perto de Ruhengeri, sete das quais pertenciam à família de um major das ex-FAR’’, declarou o governador.
‘‘Na noite de segunda para terça, houve 24 mortos no município de Nyamugali, entre os camponeses que patrulhavam’’, acrescentou Karuhije.
‘‘Na noite de quarta para quinta, houve dois ataques em dois municípios diferentes cujo objetivo eram as famílias dos ex-oficiais das FAR: 15 mortos no município de Butaro, e 12 no de Nkuli’’, informou a mesma fonte.
‘‘Finalmente, quarta-feira à noite, o dono de um restaurante muito conhecido de Ruhengeri foi assassinado’’, assinalou o governador.
Karuhije afirmou que os extremistas hutus disparavam contra alguns ex-membros das FAR que haviam regressado recentemente dos campos de refugiados do Zaire onde ocupavam cargos de responsabilidade, já que os consideravam ‘‘traidores’’.

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