Novos confrontos no Cairo
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domingo, 18 de dezembro de 2011
France Presse 
Cairo - Os confrontos entre manifestantes hostis ao poder militar e as forças de ordem foram retomados ontem no Cairo, Egito, um dia após episódios sangrentos descritos pelo primeiro-ministro Kamal el-Ganzuri como uma ''contrarrevolução''. O balanço dos confrontos de sexta-feira perante a sede do Governo, no Centro do Cairo, subiu para ''oito mortos e 299 feridos'', indicou Adel Adaui, vice-ministro da Saúde, citado pela agência oficial Mena.
Ontem de manhã, as forças de ordem tomaram o controle das imediações da sede do Governo. Soldados e policiais fecharam os acessos à região, instalando cercas a centenas de metros da Praça Tahrir, epicentro da mobilização. Mas após várias horas de calma ocorreram confrontos esporádicos pela manhã com grupos de manifestantes, que lançaram pedras e coquetéis molotov, constatou um jornalista da AFP. Homens vestidos à paisana lançavam pedras dos telhados dos edifícios vizinhos.
A violência começou na sexta-feira pela manhã entre as forças de ordem e os manifestantes, que desde o fim de novembro acampam perante a sede do Governo para protestar contra a decisão do Exército de nomear um primeiro-ministro, Kamal el-Ganzuri, que já foi chefe de governo do regime do presidente deposto Hosni Mubarak.
Os manifestantes também pedem o fim do poder militar instaurado desde a renúncia de Mubarak, e criticam, em particular, o chefe do Exército e chefe de Estado de fato, o marechal Hussein Tantawi. O poder militar acusou os manifestantes pela explosão de violência em um comunicado publicado na sexta-feira.
''Mesmo se o protesto fosse ilegal, deveria dispersá-lo de uma forma tão selvagem e brutal, incorrendo em uma maior violação da lei e da humanidade?'', perguntou-se em sua conta do Twitter Mohammed ElBaradei, possível candidato à eleição presidencial.
Os confrontos ocorrem em pleno período eleitoral. O Egito realiza desde o dia 28 de novembro e até janeiro eleições legislativas, que, por enquanto, são dominadas pelos partidos islamitas, em detrimento dos partidos liberais e dos movimentos nascidos da revolução.


