Das agências internacionais
De Bogotá
Pelo menos 66 pessoas, entre civis, soldados, policiais e rebeldes morreram entre sábado e domingo em diversas localidades da Colômbia, em duros combates entre o Exército e a guerrilha de esquerda, segundo informes militares divulgados ontem.
Um comando militar confirmou que pelo menos 12 rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e do Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista) foram mortos ontem num choque registrado na localidade de Norosí (630 km ao norte de Bogotá, no departamento de Bolívar).
As FARC lançaram sábado uma ofensiva nos povoados de Une, Quetame e Guayabetal, a 60 km ao sul de Bogotá, onde morreram três civis, cinco soldados, um policial e pelo menos 44 rebeldes, de acordo com o comandante das Forças Militares, general Fernando Tapias. Foi o pior revés dos últimos meses para as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Os combates ocorreram ao mesmo tempo em que a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albrigh, finalizava uma visita oficial à Colômbia iniciada na sexta-feira para discutir a ajuda ao chamado ‘‘Plano Colômbia’’. Este plano é uma estratégia do governo do presidente Andrés Pastrana para combater o narcotráfico e a insurreição guerrilheira.
O aparente sucesso militar contra a guerrilha, no fim de semana, e o aumento das interdições de drogas ajudará a administração Clinton a garantir o apoio do Congresso americano ao novo pacote de ajuda à Colômbia (US$ 1,3 bilhão nos próximos dois anos). Quatro quintos do dinheiro será destinado à assistência militar, incluindo o fornecimento de 63 helicópteros (30 Huey UH-1N e 33 Black Hawk) e de equipamento de inteligência e o treinamento de três batalhões do exército especializados para combater o narcotráfico. O restante será investido no desenvolvimento de cultivos alternativos à coca, a canabis e a papoula e no fomento de outras atividades econômicas, bem como em atividades de fortalecimento da democracia, como a reforma do sistema judiciário e a promoção dos direitos humanos.
Madeleine Albrigh disse, em Cartagena, que o apoio de Washington ao Plano Colômbia ‘‘repousa na premissa de que vocês continuarão a agir de maneira apropriada contra os violadores dos direitos humanos, sejam eles militares, paramilitares, guerrilheiros ou criminosos comuns’’. ‘‘Vocês já fizeram tremendo progresso nessa questão, mas todos sabemos que há mais a ser feito e queremos ouvir suas idéias sobre como podemos continuar a avançar’’, disse ela.
Respondendo a uma outra preocupação que o aumento da ajuda militar americana à Colômbia provoca não apenas em Washington, mas também em capitais sul-americanas, como Brasília, Albright enfatizou que a assistência de US$ 1,3 bilhão não representa uma intervenção nos assuntos internos do país andino e que a participação dos EUA depende inteiramente da determinação com que as autoridades colombianas levarão adiante seu programa.
A Colômbia já é o terceiro maior beneficiário da assistência militar americana, depois de Israel e Egito.

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