Comandos da polícia israelense invadiram ontem um local sagrado para muçulmanos e judeus em Jerusalém e arrancaram uma tremulante bandeira palestina, e nove palestinos foram mortos em violentos confrontos com soldados israelenses na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Um décimo palestino morreu dos ferimentos sofridos no dia anterior.
O dia de ontem, que os palestinos anunciaram como ‘‘Dia da Ira’’, teve início com os dois lados se esforçando para implementar um trégua mediada pelos Estados Unidos, mas seu rápido colapso sublinhou como os dois lados ainda estão distantes, e como poderosos locais simbólicos como a Esplanada das Mesquitas, na murada Cidade Velha de Jerusalém, têm o poder de sobrepujar boas intenções.
Ehud Barak falou, pela primeira vez, em termos de guerra. ‘‘Com a mesma determinação que tivemos em não deixar pedra sobre pedra para encontrar um caminho para a paz, com a mesma determinação... vamos lutar e defender nossos soldados e cidadãos, mesmo que seja contra todo o mundo’’, afirmou.
Barak tem resistido à pressão internacional para permitir que uma comissão das Nações Unidas investigue a última explosão de violência, que até agora cobrou 77 vidas e deixou mais de 1.900 feridos.
Na Faixa de Gaza, pistoleiros palestinos mantiveram ataques num ponto crítico, o isolado assentamento de Netzarim, e pela primeira vez cercaram outros assentamentos judeus na faixa sulista, atraindo forte resposta israelense.
Na Cisjordânia, assentamentos nas proximidades da cidade de Ramallah, controlada pelos palestinos, teriam ficado sob fogo pesado disparado da cidade. Em Nablus, pistoleiros atacaram a Tumba de José, controlada pelos israelenses, que responderam com fogo pesado.
Buscando acalmar as tensões, a polícia israelense coordenou com a segurança palestina como lidar com fiéis que participariam das orações de sexta-feira na Esplanada das Mesquitas e ao lado do Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaismo.
O local, chamado pelos judeus de Monte do Templo, tornou-se o epicentro do conflito, e fez naufragar esperanças de um grande avanço nas conversações, após o impasse no encontro de Camp David em julho.
Antes das orações na Esplanada das Mesquitas, a polícia israelense retirou-se de postos de segurança na entrada e os entregou inteiramente a guardas islâmicos, assistidos por oficiais de segurança palestinos. Os israelenses aparentemente também tentaram conter qualquer extremista judeu.
‘‘Ninguém sai por enquanto!’’ gritou para um estudante um policial que montava guarda na frente do seminário judeu de Ateret Cohanim. O estudante implorava para deixá-lo fazer as compras pré-Sabá. O movimento Ateret Cohanim busca suplantar com judeus a população muçulmana na Cidade Velha.
A polícia israelense tem sido perseguida por acusações de que seu uso excessivo de força na semana passada deflagrou a violência. Em 28 de setembro, milhares de policiais uniformizados acompanharam Ariel Sharon, o líder extremista do oposicionista partido Likud, quando ele visitou o local para protestar contra a proposta do governo de dividir a soberania do santuário com os muçulmanos. A visita foi o estopim de distúrbios no dia seguinte, e a polícia invadiu o local, matando quatro manifestantes.

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