Novos ataques contra opositores matam 60
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Folhapress 
São Paulo - Ao menos 60 pessoas morreram ontem em episódios de violência em toda a Síria, segundo opositores. A maioria morreu na ofensiva das forças do regime contra a cidade de Homs, principal foco de contestação, onde teriam lançado foguetes e morteiros contra redutos oposicionistas.
Rami Abdul Rahman, do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, disse que 57 pessoas morreram em um forte ataque em Homs, 36 delas no bairro de Baba Amr e 11 na queda de um morteiro sobre uma casa no distrito de Inshaat. Outras quatro pessoas foram mortas na cidade de Rastan, localizada na província de Homs.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, condenou a violência da ação governamental em Homs, epicentro de uma revolta contra o ditador Bashar Assad que começou há quase um ano e se torna mais sangrenta a cada dia.
''Temo que a apavorante brutalidade que estamos testemunhando em Homs, com disparos de armas pesadas contra bairros civis, seja um sombrio prenúncio do que está por vir'', disse Ban a jornalistas.
Ativistas e moradores relataram centenas de mortos na última semana em Homs. Ontem, ao alvorecer, uma nova chuva de foguetes e morteiros atingiu Baba Amro, Khalidiya e outros bairros. Veículos blindados chegaram para reforçar as posições do governo no leste da cidade.
Há crescente preocupação com a situação dos civis, e os Estados Unidos disseram estar estudando formas de levar alimentos e remédios a eles - o que aprofundaria o envolvimento internacional em um conflito com amplas repercussões geopolíticas, e que divide as principais potências.
A Turquia, ex-aliada de Assad, disse que vai promover uma conferência internacional para discutir o envio de ajuda e possíveis soluções para a crise.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou ontem que a situação na Síria é ''gravíssima'' e ''preocupante'', inclusive para os 3 mil brasileiros que vivem no país.
Ele declarou ainda que o Brasil vê com bons olhos o retorno dos observadores da Liga Árabe, agora com apoio das Nações Unidas. ''Esperamos que essa movimentação diplomática da Liga Árabe continue''.
Segundo Patriota, o governo brasileiro acompanha a situação, e uma família entrou em contato com a embaixada brasileira no país pedindo para ser repatriada ao Brasil.
''Entramos em contato com o embaixador, e esperamos que possam ser repatriados. É um casal sírio com dois filhos, ambos de nacionalidade brasileira. Esperamos que isso (a repatriação) possa ocorrer com segurança'', afirmou.


