Novos assassinatos contrapõem-se a esforços de paz no Quênia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
France Presse 
Nairóbi Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU e que está atuando como mediador para estimular um diálogo de paz no Quênia, denunciou no fim de semana os graves e sistemáticos abusos dos direitos humanos na região do Vale de Rift.
No sexto dia de sua missão no Quênia, Annan reuniu-se em um hotel de Nairóbi com Odinga, líder do Movimento Democrático Laranja (MDL) e oficialmente segundo colocado nas eleições. Porém, o contraste entre os esforços diplomáticos e a situação do país ficou claro na imprensa queniana, vitrine da frustração dos cidadãos. O Quênia já sangrou o suficiente, afirma um editorial do jornal Sunday Standard.
Pela enésima vez, pedimos ao presidente Kibaki e ao líder Raila Odinga que trabalhem pela paz, a verdade e a justiça. Devem isso a si mesmos, a esta geração e à posteridade, acrescenta o texto. O Sunday Nation denuncia o repentino aumento da violência sexual, tanto dentro como fora dos campos de desabrigados.Nos primeiros dois dias de violência, foram registrados 56 casos de estupros apenas em Nairóbi, afirma.
A crise começou a afetar a economia do país do leste da África, até então considerado uma área de estabilidade e tradicional refúgio dos deslocados de conflitos nas nações vizinhas. Annan, que já advertiu que não permanecerá meses no Quênia, conseguiu reunir na quinta-feira passada pela primeira vez desde as eleições Kibaki e Odinga, em um encontro simbólico que acabou com um aperto de mãos, um pedido de paz e uma aparente mostra de vontade de diálogo. Porém, o gesto, aplaudido internacionalmente, foi fulminado pelas novas disputas entre os dois lados, cada vez mais radicais em suas posturas.
Ontem, 14 pessoas foram queimadas vivas dentro de suas residências em Naivasha, oeste do Quênia, informou a polícia local. Ao mesmo tempo, corpos atingidos por flechas e cortados a machadadas se acumulavam em necrotérios e hospitais de Nakuru, capital provincial. A polícia anunciou o assassinato de 11 pessoas na localidade e seis na cidade vizinha de Timboroa. Outras nove pessoas morreram em enfrentamentos ocorridos entre dois grupos de jovens na cidade de Navaisha, 90 km ao noroeste de Nairóbi. Cinco vítimas foram queimadas e três mortas a facadas. Além disso, um policial matou um colega acidentalmente.
Pelo menos 850 pessoas morreram, segundo dados divulgados pela polícia e pelos hospitais, e quase 260 mil foram obrigadas a abandonar suas casas desde a reeleição do presidente Mwai Kibaki, que provocou uma onda de protestos da oposição e combates tribais.


