São Paulo- O Haiti registrou ontem um tremor de magnitude 6,1, a mais forte réplica do terremoto de magnitude 7 que devastou o país, no último dia 12, e deixou milhares de mortos. Segundo as medições do Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), nestes últimos oito dias, o país foi atingido por mais de 40 tremores menores.
O medo de que os desabamentos em série se repetissem causou pânico e levou as pessoas às ruas da capital Porto Príncipe. Grande parte dos prédios da cidade desabou no tremor do dia 12, incluindo o histórico palácio presidencial e a casa do presidente René Préval, além de diversos escolas e hospitais. O aeroporto teve a sua torre de controle destruída, e o porto foi obrigado a interromper seu funcionamento.
O abalo foi registrado ontem às 6h03 (9h03 no horário de Brasília). Ainda não se sabe se há mais vítimas ou novos danos.
Para o sargento americano Steven Payne, 27, do Estado da Virgínia Ocidental, a sensação durante o tremor era ''como se estivesse com os pés numa prancha, sobre uma bola''. O haitiano Anold Fleurigene, 28, que teve sua casa destruída e uma irmã e um irmão mortos no primeiro tremor, chamou a mulher e os três filhos e correu para a rodoviária. ''Eu já vi a situação aqui, quis sair logo.''
Beny Quinteros, enviada especial da emissora VTV da rede estatal de TV venezuelana, disse por telefone para a sua matriz, em Caracas, que ''as estruturas já colapsadas e que estavam a meio pé terminaram de cair com este movimento, que foi muito forte''.
O embaixador venezuelano no Haiti, Pedro Antonio Canino, disse que o tremor durou ''apenas segundos, porque um minuto aqui seria desastroso'', e destacou que a ajuda venezuelana que chegou a esse país nos últimos dias está sendo distribuída ''diretamente através de organizações sociais'' da ilha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem ao secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, que o governo brasileiro está disposto a ampliar o montante doado pelo país para o Haiti.
Segundo o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), que fez um relato da conversa de Lula com Ban Ki-moon, o presidente brasileiro disse estar disposto a aumentar a colaboração com o Haiti além dos US$ 15 milhões já oferecidos pelo governo federal.

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