Nova Iorque - O novo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, teve uma estréia polêmica ontem diante de sua ambiguidade sobre a execução de Saddam Hussein, que ele não condenou, parecendo romper assim com a tradicional oposição da ONU à pena de morte.
Ao chegar à sede da organização, em Nova Iorque, para seu primeiro dia de trabalho de um mandato de cinco anos, Ki-moon evitou responder com ''sim'' ou ''não'', à pergunta de um jornalista sobre se considerava apropriado o enforcamento do ex-ditador, no último sábado. O secretário-geral lembrou apenas que Saddam Hussein cometeu ''crimes e atrocidades inomináveis contra o povo iraquiano'' e pediu que ''não se esqueçam de suas vítimas''.
Avaliando que a questão da pena de morte é de competência dos Estados-membros, Ki-moon disse ter esperança de que respeitem ''todos os aspectos do Direito Internacional''. Com esta resposta, ele pareceu se distanciar de uma declaração dada no sábado, após a execução de Saddam, pelo representante especial da ONU no Iraque, o paquistanês Ashraf Qazi.
Em nota, Qazi afirmou que as Nações Unidas ''são firmemente contrárias à impunidade e compreendem o desejo por justiça de vários iraquianos, mas baseando-se no princípio do respeito do direito à vida, as Nações Unidas continuam sendo contra a pena capital, mesmo nos casos de crimes de guerra, contra a humanidade e de genocídio''.
Investigação - O governo do Iraque iniciou uma investigação para identificar quem filmou a execução do ex-ditador Saddam Hussein e distribuiu a gravação, anunciou ontem uma fonte ligada ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki.
O vídeo que mostra Saddam sendo provocado por testemunhas xiitas, incluindo um homem que gritava o nome do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr e, depois, sendo enforcado, foi divulgado pela internet e por mensagens de telefone celular. As autoridades querem saber o nome daquele ou daqueles que são responsáveis pela difusão dessas imagens na internet.
Condenado à morte no dia 5 de novembro de 2006 por ''crime contra a humanidade'', o ex-ditador foi enforcado no sábado de madrugada pelas autoridades iraquianas numa caserna de informações militares em Khadamiyah, bairro da zona norte e de maioria xiita de Bagdá.
Muitos especialistas da imprensa árabe afirmam que a gravação faz a execução parecer uma vingança sectária, em vez de um ato determinado pela Justiça. Bastante embaraçosas para o primeiro-ministro Maliki e a coalizão xiita no poder, as imagens despertaram indignação no seio da comunidade su© nita iraquiana e do mundo árabe, enquanto que milhares de iraquianos continuavam ontem a homenagear o ex-presidente em Tikrit (180 km ao norte de Bagdá), reduto sunita, e na cidade natal de Awja, onde foi sepultado.

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