Quito O presidente eleito do Equador, coronel Lucio Gutiérrez, anunciou ontem um governo de unidade nacional, capaz de dar atenção às exigências sociais e cumprir, ao mesmo tempo, as obrigações do país com o FMI, em meio às esperanças da Igreja e dos povos indígenas que querem ver realizadas as promessas de campanha.
Gutiérrez (45 anos) receberá no próximo 15 de janeiro um país com muitos problemas de ordem socioeconômica, polarizado politicamente e com uma complexa agenda internacional, que inclui relações com a conflitiva e vizinha Colômbia e com os Estados Unidos, que mantêm no Equador uma base militar de operações contra as drogas.
Washington e a União Européia (UE) saudaram a vitória eleitoral do ex-militar golpista Gutiérrez anunciando a disposição de trabalhar com ele no futuro, Segundo o porta-voz do departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental, Charles Barclay.
''Cumprimentamos o povo do Equador por um processo eleitoral justo e transparente, e estendemos nossas felicitações em particular ao presidente eleito Gutiérrez'', afirmou Barclay.
O presidente eleito também deverá se preparar para a possibilidade de erupção de vulcões e outros fenômenos naturais que afetam o clima, como El NiÀo, que historicamente castiga o país andino e que poderá afeta-lo em dezembro, janeiro e fevereiro próximos, como o previsto.
O cardeal do Equador e arcebispo de Quito, monsenhor Antonio González, conclamou o futuro governante a agir com responsabilidade e diligência ante as necessidades sociais.
Depois de ganhar o segundo turno eleitoral que disputou domingo com o magnata de direita Álvaro Noboa, Gutiérrez disse que em seu gabinete ministerial estarão representados todos os setores do país, entre eles ''banqueiros e empresários honestos e patriotas''.
''Meu governo será pluralista, de conciliação nacional'', destacou Gutiérrez, destacando que a frente econômica ficará em mãos ''do setor produtivo honesto, e a frente social, em mãos dos movimentos sociais''.
O presidente eleito se reúne hoje com o atual presidente, Gustavo Noboa (sem parentesco com o candidato derrotado), para iniciar o processo de transição.

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