Novo presidente argentino assume em meio a crises
France Presse
De Buenos Aires
Fernando de la Rúa assumirá hoje a presidência da Argentina por quatro anos para consolidar uma ordem econômica neoliberal e, ao mesmo tempo, enfrentar o desemprego, a insegurança e as denúncias de corrupção deixadas como herança pelos 10 anos de Carlos Menem.
Advogado conservador de 62 anos, De la Rúa assumirá o poder em nome de uma aliança do centenário radicalismo social-democrata com peronistas dissidentes do menemismo e pequenos partidos socialistas, que só unidos puderam derrotar o popular Partido Justicialista (PJ, peronista).
A transição agora é tranquila do que na época de Menem, porque a abertura e privatizações estabilizaram a macroeconomia, mas deixaram uma instabilidade social jamais vista nesta jovem nação, cujo sétimo lugar entre as potências mundiais, no início do século, é somente uma marca da nostalgia.
O homem comum na Argentina não se questiona nestes dias quem é De la Rúa, porque a resposta parece muito clara, mas se pergunta o que fará para superar esta crise.
O novo mandatário fez seus estudos segundários no Colégio Militar e é casado com uma integrante da chamada família militar, Inés Pertiné, irmã daquele que será o chefe dos serviços de inteligência, oi almirante Basilio Pertiné.
Tirou brevê nos setores direitistas da União Cívica Radical (UCR, social-democrata) e manteve confrontos internos com o progressismo radical encarnado no ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989).
De conduta inatacável e impecável carreira no campo das leis e da política, De la Rúa jamais perdeu uma eleição aberta, com seu porte de severa austeridade republicana, cavalheirismo e ficha imaculada.
É uma imagem oposta à de Menem, um caudilho de raiz populista, transgressor e divertido, tão sedutor como frívolo e mais esperto do que sábio para o manejo das forças do poder.
Os mercados acalmaram ao saber que haverá quatro ministros economistas, um deles na Chancelaria, como Adalberto Rodríguez Giavarini, e outro de Educação, como Juan Llach, homem da Igreja e do ex-ministro Domingo Cavallo.
Seus grandes problemas serão que um em cada três argentinos sofre problemas de emprego, se extinguiu o mercado interno e a classe média está arruinada, enquanto a crise moral se estende por todas os setores, principalmente na administração do Estado.





