Novo presidente anuncia em breve destino de Pinochet Ricardo Lagos Escobar, um dos mais tenazes adversários de Augusto Pinochet, se converterá hoje no segundo presidente socialista do Chile em 30 anos, depois do falecido Salvador Allende. Lagos viverá o que seguramente será o segundo dia mais feliz de sua vida: o primeiro tendo sido em 5 de outubro de 1988, quando os chilenos disseram majoritariamente ‘‘não’’ a Pinochet e a suas pretensões de continuar governando. Economista e advogado, ele afirma que chega ao poder para ‘‘servir ao Chile’’ e lançar o país no caminho do desenvolvimento na próxima década. Ele iniciará seu governo de seis anos rodeado por um gabinete ministerial equilibrado entre os democrata-cristãos, socialistas e radicais que integram a coalizão que o levou à presidência depois de vencer, em 16 de janeiro, no segundo-turno, o direitista Joaquin Lavin por uma diferença de 2,62 pontos percentuais dos votos. Eterno defensor dos direitos humanos, Lagos afirmou que no governo velará pela independência do poder judiciário e que logo resolverá se retira ou não a imunidade de Pinochet para julgá-lo por uma das 74 denúncias criminais que o envolvem. Lagos, filho único de mãe viúva, cresceu no meio de uma pequena família radical, de classe média, que lhe inculcou valores humanistas. Ele iniciou sua vida no Partido Radical, para depois passar para o Socialista em sua juventude. Ele é contra o aborto e a pena de morte. Foi professor visitante da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, e trabalhou na ONU e na Organização Internacional do Trabalho. Ele deixou de dar aulas para assumir a militância política na década de 80. Foi um ativo militante dos primeiros grupos políticos que lutaram pela redemocratização do Chile. Em setembro de 1986 foi detido por três semanas em represália ao atentado sofrido por Pinochet, e libertado graças à pressão internacional, destacadamente do ex-presidente americano Jimmy Carter. Em 1988, Lagos fundou o Partido pela Democracia, que o permitiu participar no primeiro programa político que a censura da ditadura aceitou na televisão. Numa noite de abril de 1989, olhando desafiadoramente para as câmaras de televisão e levantando seu dedo indicador, afirmou que era inadmissível Pinochet permanecer mais oito anos no poder. Em 1993, ele perdeu as primárias internas para Eduardo Frei, que sucedeu Patrício Aylwin na presidência do Chile. Em maio de 1999, Lagos se recuperou e conquistou a candidatura da aliança governista, para ganhar de Lavin no segundo turno. Ele foi ministro da Educação de Aylwin e, de Obras Públicas no governo Frei. (A.P.)

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