A República Federal da Alemanha, elege, hoje, o novo presidente. E o social-democrata Johannes Rau, 68 anos, apontado como virtual vencedor, deve conhecer finalmente a consagração na vida política do país, caso sejam confirmadas as pesquisas.
Em 1987, Johannes Rau perdeu a eleição para o chanceler Helmut Kohl, acusando seu partido de tê-lo abandonado, uma ferida que demorou a cicatrizar para este homem acostumado ao sucesso.
Em 1994, Rau sofreu outra derrota, previsível desta vez, para o democrata-cristão Roman Herzog, o atual presidente, a quem deverá suceder.
Estas derrotas federais não mancham, porém, sua carreira regional brilhante. Johannes Rau entrou no SPD em 1957, subindo todos os degraus até conquistar, em 1978, um reduto social-democrata, a Westafalia do Norte, o Estado mais populoso e industrializado da Alemanha, que conta com cerca de 18 milhões de habitantes e o Ruhr.
Em três ocasiões, foi reeleito em suas funções de ministro presidente, com a maioria absoluta. Em 1995, porém, o SPD perdeu peso e se viu obrigado a se unir aos ecologistas (Verdes).
Após duas décadas no poder executivo da região, Johannes Rau abandonou o cargo, em março de 1998, dois anos antes do final do mandato.
Rau, apelidado de ‘‘patriarca’’ por ter sido o decano dos chefes de governo regionais, renunciou simultaneamente à presidência da poderosa organização regional do SPD, seguramente porque já tinha em mente se candidatar à presidência, uma função bem acima dos partidos.
O ‘‘patriarca’’ parece reunir todas as qualidades requeridas para um presidente alemão: discurso claro marcado por um gosto desmesurado pelo consenso.
Filho de pastor protestante, Rau conservou uma cultura e um sentimento religioso profundos, que lhe valerom outro apelido: ‘‘Irmão Johannes’’.
Para Rau, a mais alta função de Estado não é ‘‘nem um coroamento, nem o cumprimento do sonho de uma vida’’, mas sim a ocasião de ‘‘servir à democracia’’.

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