São Paulo - O novo primeiro-ministro Enrico Letta disse ontem que a retomada do crescimento deve ser a prioridade da Itália nos próximos anos. O país enfrenta uma grave recessão nos últimos anos, em especial pela alta dívida pública.
O discurso foi feito no Parlamento italiano, antes da votação em plenário de sua ratificação como chefe de governo, o chamado voto de confiança. Letta assumirá a Itália após conseguir uma coalizão entre seu grupo de centro-esquerda e a centro-direita, liderada por Silvio Berlusconi.
Durante o pronunciamento, o novo primeiro-ministro afirmou que pretende visitar Bruxelas, Paris e Berlim para discutir sobre a crise europeia. Ele disse que pretende defender medidas em prol do avanço econômico, assim como o governo socialista francês, em detrimento à austeridade defendida pelos alemães.
"Nós vamos morrer se tivermos apenas consolidação fiscal. Não podemos esperar mais tanto tempo por medidas de crescimento", disse, afirmando que a situação da economia italiana é séria após uma década de estagnação econômica.
Para o italiano, a Europa sofre uma crise de legitimidade nos mercados e pediu maior integração da União Europeia, com mais união bancária e união política. "Faz falta ter mais Europa, porque o destino de todo o continente está unido."
Embora tenha defendido um crescimento maior, Letta disse que pretende manter os compromissos com as medidas de austeridade e a consolidação financeira pedida pelos órgãos econômicos europeus.

Perfil
Enrico Letta, de 46 anos, foi o escolhido pelo presidente Giorgio Napolitano para tentar dar fim ao impasse político na Itália, que durava mais de dois meses. A crise política foi provocada pelos resultados da eleição parlamentar, em que nenhum partido teve a maioria.
O seu bloco político, a centro-esquerda, havia tentado formar um governo encabeçado pelo secretário-geral do Partido Democrático, Pier Luigi Bersani, mas não teve êxito em conseguir coalizão com a centro-direita de Berlusconi.
De origem toscana, Letta conta com uma boa experiência na gestão de um Executivo não só como ministro, mas também por ter sido subsecretário de Estado durante o governo de centro-esquerda de Romano Prodi (2006-2008).
De 2009 a 2013 foi subsecretário do maior grupo de esquerda do país, o PD, partido vencedor parcial das eleições legislativas do fim de fevereiro. É conhecido por sua prudência e por manter boas relações com todos os grupos políticos.

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