São Paulo- A recente onda de ataques contra escolas dos EUA chama a atenção por inserir um novo fator neste tipo de crime: agora adultos atacam crianças, segundo especialistas em violência escolar ouvidos pela reportagem.
Em apenas seis dias [entre 27 de setembro e o último dia 2], seis crianças morreram em três ataques contra escolas de diferentes Estados -Colorado, Wisconsin e Pensilvânia. Em dois deles os agressores eram adultos.
''Na última década, não havia registro de ataques de maior repercussão cometidos por adultos, todos foram feitos por adolescentes'', disse, por telefone, Jane Grady, 60 anos, diretora-assistente do Centro de Estudos e Prevenção à Violência (CSPV, na sigla em inglês), da Universidade do Colorado.
''Geralmente, essas ações eram perpetradas por estudantes que enfrentavam problemas com outros alunos ou professores. Ataques de adultos é algo novo, que não sabemos ainda ao certo a motivação, tampouco o significado'', diz Grady, que dirige o centro fundado em 1993.
Michael Sedler, especialista em Serviço Social que atua há 15 anos em escolas dos EUA, nas áreas pedagógica e de saúde mental, concorda com Grady. ''O perfil típico destes agressores era de adolescentes solitários, influenciados por jogos de videogame ou pela internet'', explica.
Dois dos recentes ataques foram realizados por adultos que, aparentemente, ''sofriam de distúrbios mentais, ouviam vozes ou se sentiam deprimidos''. ''Os casos ainda estão sendo investigados e nos ajudarão a saber mais sobre este novo tipo de ataque'', afirma.
Onda de violência- No último dia 27, Duane Morrison, 53, invadiu uma escola em Bailey, no Colorado, fez um grupo de seis alunas reféns, matou uma delas e, em seguida, se suicidou. Segundo a polícia, todas as seis alunas foram molestadas, e ao menos duas delas sofreram abusos sexuais.
Dois dias depois, um estudante de 15 anos, armado, invadiu uma escola rural do Condado de Richland, no Wisconsin, nos Estados Unidos, e disparou várias vezes contra o diretor, ferindo-o gravemente antes de ser detido. O aluno chegou à escola armado com uma pistola calibre 22 e um rifle.
Na última segunda-feira, um terceiro crime voltou a chocar a opinião pública americana. O motorista de caminhão Charles Carl Roberts, 32, invadiu a escola amish Wolf Rock, no Condado de Lancaster, na Pensilvânia, matando quatro alunas e se suicidando em seguida.
Pai de três filhos, Roberts disse à mulher que havia cometido ataques contra familiares há 20 anos e que ''sonhava em repetir os abusos''. A família disse desconhecer o caso. Segundo a polícia, a morte de uma das filhas de Roberts, há três anos, pode ter influenciado no ataque.
Segundo Sedler, os ''ataques em série'' são comuns. ''Quando um episódio acontece, outros tendem a imitá-lo. Epidemias de violência em escolas são comuns em várias culturas'', diz ele.
Grady defende a mesma tese. ''Foi levantada a possibilidade de que o ataque da Pensilvânia tenha sido uma ''imitação' do ataque em Bailey (Colorado), já que ambos os casos tinham caráter sexual e os dois agressores deram preferência às vítimas femininas'', diz ela.

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