Novo livro sobre Perón mostra sua vocação nazista
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de novembro de 1998
Ariel Palacios Agência Estado 
A luta de Hitler na paz e na guerra nos servirá de guia. As alianças serão o primeiro passo. Temos o Paraguai, a Bolívia e o Chile. Com a Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile unidos será fácil pressionar o Uruguai. Logo, os cinco países vão atrair facilmente o Brasil e suas grandes comunidades alemãs. Quando o Brasil cair, o continente americano será nosso. A frase, pronunciada pelo general Juan Domingo Perón em maio de 1943, ilustra quais eram os planos argentinos. Nesse momento, a Alemanha nazista e seus aliados do Eixo estavam no apogeu de seu poderio, dominando a maioria da Europa, dos Pirineus até as estepes ucranianas, do deserto da África até os fiordes noruegueses. Hitler e seus assessores já pensavam na extensão de seu domínio para a América do Sul, para distrair as forças dos EUA que começavam a chegar à Europa.
Seu instrumento seria Perón, na época secretário de Guerra e eminência parda do poder na Argentina. O então coronel Perón já vinha estabelecendo contatos com o 3º Reich desde o início da 2ª Guerra. Ele liderava o Grupo Oficiales Unidos (GOU), um punhado de oficiais que, em 1943, desfecharia um golpe de Estado vitorioso. A anterior estada de Perón na Itália de Mussolini, em 1940, sua visita à Paris ocupada e às multidões frenéticas na Piazza Venezia, deixaram o futuro presidente argentino inspirado.
Não diria que Perón fosse um nazista, explicou à Agência Estado o jornalista e historiador americano-argentino Uki Go¤i, autor do recentemente lançado Perón e os Alemães, que traz à tona uma série de documentos sobre os vínculos do líder argentino com o 3º Reich. As ideologias ou religiões não possuíam nenhuma importância. A única coisa que importava era o poder. Nazistas eram os que enchiam os estádios por Hitler. Peronistas eram os que enchiam a Plaza de Mayo. Perón não era peronista.


