Jorge Batlle Ibañez, 72 anos, um liberal do Partido Colorado, assume hoje, às 14h15 (horário local), a presidência do Uruguai pelos próximos cinco anos. Ele substitui Julio María Sanguinetti. Tem à frente o desafio de lutar contra uma dura crise econômica. Contudo, começa fortalecido com o apoio político do Partido Nacional, com o qual fez coalizão. Batlle deve discursar para 99 deputados e 31 senadores, além de convidados. Ele é o quarto presidente civil desde 1985, quando terminaram os 12 anos de ditadura militar.
Político de longa trajetória, foi eleito em segundo turno no dia 28 de novembro ao derrotar o candidato da coalizão esquerdista Frente Ampla, do socialista Tabaré Vázquez. Este saiu vencedor no primeiro turno mas não alcançou a maioria necessária para levar o poder.
O Uruguai atravessa desde o ano passado uma recessão brutal, com a queda de 3% do PIB, ocasionada principalmente pela desvalorização do real. A medida tomada pelo governo do Brasil atingiu em cheio as exportações do Uruguai. O país também enfrenta um alto índice de desemprego, 11% da força de trabalho, ou seja, mais de 160 mil desempregados.
O novo presidente já avisou que seu governo será marcado pela austeridade com cortes nos gastos que objetivam diminuir o déficit fiscal, atualmente de 3,5% do PIB. O gasto público deve ser reduzido em US$ 330 milhões e a equipe econômica buscará um crescimento econômico de 2,5% e a manutenção da inflação entre 4% e 5% anuais. Para os analistas, o projeto do orçamento a ser apresentado antes de agosto será um dos principais pontos do debate político dos primeiros meses do novo governo.
Participam da posse, entre outros, o presidente Fernando Henrique Cardoso, Fernando de la Rúa (Argentina), Luis González Macchi (Paraguai), além de ex-presidentes. Também estarão presentes Hugo Bánzer (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela) e o futuro presidente do Chile, Ricardo Lagos.
Durante sua visita, de 28 horas, FHC se encontrou ontem mesmo com o presidente eleito do Chile, Ricardo Lagos, unidos por longa amizade, de quando o atual presidente brasileiro viveu exilado em Santiago durante a ditadura militar no Brasil (1964-85).
Estão presentes também para a cerimônia, entre outras personalidades, Felipe de Borbón, príncipe de Astúrias e herdeiro da coroa espanhola; os ex-presidentes José Sarney do Brasil, Raúl Alfonsin e Carlos Menem da Argentina; o secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), César Gaviria, e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias.