Novo cemitério vai respeitar crença vodu
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
France Presse 
São Paulo - O Ministério da Defesa defendeu ontem, em nota à imprensa, o plano do governo brasileiro para a criação de um cemitério em Porto Príncipe, capital haitiana. A medida, segundo a pasta, vai acelerar o enterro das vítimas do terremoto que devastou o Haiti na última terça-feira.
O ministério apresentou a proposta do novo cemitério ao governo haitiano na última quarta. Era um dos pontos do plano de prioridades que os brasileiros montaram para enfrentar os problemas causados pelo tremor.
Porém, a sugestão causou, segundo o ministério, ''informações equivocadas (...) em relação ao enterro de haitianos'', principalmente sobre a contemplação das tradições vodu - crença religiosa comum no Haiti - nos funerais.
''A proposta feita pelo ministro Nelson Jobim ao governo do Haiti na última quarta-feira contemplava o pleno respeito das tradições religiosas no enterro das vítimas do terremoto'', diz a nota.
Pela tradição vodu, os rituais fúnebres são longos, e pessoas que não são da família não podem carregar o corpo.
''Jobim propôs que, para auxiliar as autoridades locais responsáveis pelos sepultamentos, fosse oferecida às famílias praticantes do vodu uma cova em um cemitério que seria construído pela engenharia do Exército, para onde os corpos poderiam ser transportados pelos próprios familiares, conforme sua tradição, e onde poderiam ser realizados os rituais fúnebres'', diz a nota. ''Com essa solução, atingia-se o objetivo de apressar a retirada dos cadáveres das ruas, mas mantendo-se o pleno respeito à religiosidade do povo haitiano.''
A Defesa ainda ressaltou que só seriam enterrados em vala comum os corpos abandonados pelas famílias, ''sempre de acordo com as normas das autoridades locais''.


