Jerusalém

France PresseFlagranteO corpo de um dos três terroristas aparece, coberto, em primeiro plano, no local em que ele detonou a bombaSete pessoas morreram e 170 ficaram feridas ontem num triplo atentado suicida a bomba lançado pelo grupo palestino Hamas num movimentado calçadão de Jerusalém. Entre os mortos estão os três atacantes suicidas, cujos corpos ficaram despedaçados. A Autoridade Palestina (AP) condenou duramente o ‘‘criminoso ataque terrorista’’ e ordenou a prisão imediata de líderes do Hamas. Entretanto, Israel culpou a AP pelo ocorrido, reimpôs o bloqueio total à Faixa de Gaza e à Cisjordânia - que fora amenizado no início da semana - e ameaçou reconsiderar todo o processo de paz.
Apesar do ataque, os EUA decidiram manter a visita que a secretária de Estado, Madeleine Albright, fará na próxima semana ao Oriente Médio. O atentado ocorreu por volta das 15 horas, quando centenas de pessoas, entre elas muitos turistas americanos, caminhavam pela Rua Ben Yehuda, repleta de cafés, lojas de souvenirs e lanchonetes e situada no coração do setor ocidental (judaico) de Jerusalém - a pouca distância do mercado onde um duplo ataque suicida do Hamas matou 15 israelenses há cinco semanas. Os atacantes pararam diante de três lojas - próximos entre si o bastante para fazer contato visual - e detonaram com intervalos de poucos segundos as bombas (recheadas de pregos) que carregavam junto ao corpo.
O braço armado do Hamas, o Qassan, assumiu a autoria do atentado em telefonemas a agências internacionais de notícias e num panfleto deixado em Ramallah, na Cisjordânia. O grupo exigiu que Israel liberte todos os prisioneiros palestinos até o dia 14, sem revelar o que fará se o ultimato não for cumprido. Logo após o ataque, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi visitar feridos nos hospitais, convocou uma reunião de emergência dos chefes da defesa e cancelou um encontro de representantes de segurança israelenses e palestinos, criticando ‘‘o fracasso clamoroso’’ da AP na luta antiterror. O ministro israelense da Defesa, Yitzhak Mordechai, também criticou a AP. ‘‘Ela carrega responsabilidade pelos ataques porque não temos dúvida de que as células terroristas vêm de áreas sob seu controle.’
Israel chegou a reter o helicóptero que Arafat usa para ir da Faixa de Gaza à Cisjordânia, mas depois voltou atrás. Em Gaza, Arafat condenou ‘‘totalmente’’ o atentado. ‘‘Essas atividades terroristas são dirigidas não só contra as pessoas que perderam a vida, mas contra os israelenses, os palestinos e o processo de paz em geral.’ Altas fontes de segurança da AP informaram que Arafat, furioso com o ataque, cancelou as ‘‘conversações de unidade nacional’’ que ele marcara para com líderes de grupos extremistas palestinos e ordenou a detenção de dirigentes do Hamas na Cisjordânia por tramarem contra os interesses palestinos. ‘‘A polícia e os agentes de segurança da AP vão prender líderes do Hamas principalmente em Nablus e Ramallah, porque essas pessoas e seu grupo traíram suas promessas e estão tramando contra os altos interesses do povo palestino’’, disse uma fonte à Reuter. No final da noite pelo menos dois líderes do Hamas haviam sido detidos.

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