Novo assentamento israelense produz o primeiro choque
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Agência Estado 
Thomas Coex/France PresseIntifadaEm Belém, a manifestação lembrou o levante de 1991: perigo à vistaBELÉM - Revoltados com o novo assentamento judeu em Jerusalém Oriental, palestinos lançaram ontem coquetéis molotov e pedras contra soldados israelenses, numa violência que trouxe lembranças do levante de seis anos atrás. A Intifada Palestina só terminou com o acordo de paz de 1993, que agora está sob ameaça.
Tropas israelenses responderam com balas de borracha e gás lacrimogêneo durante os confrontos nos arredores da cidade de Belém, administrada pelos palestinos, a sudoeste de Jerusalém. Um funcionário de um hospital informou que um manifestante foi ferido e 14 outros foram tratados de inalação de gás lacrimogêneo.
O que é tomado pela força, só pode ser recuperado pela força, afirmou um manifestante. Palestinos também confrontaram o Exército israelense na vila de Bet Immar, nas proximidades de Hebron. Soldados lançaram gás lacrimogêneo, mas não há notícias de feridos.
Israel ocupou a parte árabe de Jerusalém (setor oriental) junto com o restante da Cisjordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e desde então considera toda a cidade como sua Capital. A Autoridade Palestina não aceita a anexação e também considera a Jerusalém Árabe como capital de um futuro estado palestino.
ViolênciaNo distrito árabe de Silwan, em Jerusalém Oriental, cinco famílias de colonos judeus invadiram casas árabes vazias durante a noite. Desde 1991, pelo menos 18 famílias judaicas tomaram propriedades árabes em Silwan, onde vivem 30 mil palestinos. A área fica exatamente abaixo dos muros da Cidade Velha onde, de acordo com o velho testamento, o rei Davi teria estabelecido a Capital do povo judeu.
Próximo à tumba de Rachel, no Norte de Belém, muitos jovens árabes quebraram o isolamento da polícia palestina e entraram em choque com soldados israelenses que guardavam o templo. A violência durou várias horas, até que a polícia palestina interferiu e dispersou os manifestantes.
Essa nova intifada é porque Bibi Netanyahu (o premier isrelense) está confiscando terras palestinas, afirmou o manifestante Samih Abu Ayyash, em referência à revolta ocorrida entre 1987 e 1993 em Gaza e na Cisjordânia, que só terminou com os acordos de paz entre OLP e Israel em 1993.
O grupo militante islâmico Hamas acusa Arafat de impedir que os protestos palestinos cheguem às estradas israelenses, o que desencadearia um grande nível de violência.


