Dentro de um amplo prédio de vidros espelhados, duas agências administradas pelo governo federal testam produtos que podem mudar o jeito que o mundo funciona.
Alguns são decisivamente de baixa tecnologia, como uma gaze para fabricação de máscaras faciais que permitem que prisioneiros vejam e respirem, mas os impede de cuspir saliva infectada por vírus.
Outros são high-tech como a discreta tecnologia usada em jatos de guerra. E há também os produtos medianos, como um colete à prova de facadas para policiais. Coletes à prova de balas, descobriu-se, não resistem a picaretas de gelo.
O Centro Nacional de Transferências de Tecnologia e seu braço, o Escritório de Tecnologia de Comercialização, encontraram aplicações práticas e reais para suas pesquisas, retirando-as do laboratório e levando-as para o mercado.
O Congresso criou o centro de tecnologia em 1989, depois de anos de debate sobre como lidar com a importância de mais de US$ 70 bilhões em pesquisas que o governo patrocinou. O centro foi estabelecido em 1995.
‘‘Eles não queriam apenas divulgar as pesquisas sem retorno econômico’’, diz Joseph P. Allen, presidente do centro de tecnologia.
‘‘Isso podia fazer sentido nos anos 50 e 60, mas não nesta era de constante aumento da competição global.’’
Hoje em dia, as duas agências reúnem pesquisas feitas em 15 laboratórios nacionais, nas principais universidades do país, organizações privadas e de inventores individuais.
O escritório de tecnologia concentra-se na adaptação de novas tecnologias para o uso de policiais e oficiais de correção, ajudando os inventores a encontrar fabricantes, comerciantes, distribuidores e consumidores. Além disso, patrocina diversos workshops todo ano, ajudando as pessoas a decidir o que podem fazer com suas idéias.
‘‘Nós tentamos ser bons administradores dos impostos’’, diz Larry Kosiba, diretor do escritório. ‘‘Nós não pegamos um pedaço do bolo. Nós estamos num negócio honesto.’’
O escritório ajudou a adaptar o trabalho de pesquisadores sobre o sono com o que a polícia chama de EyeCheck (checagem de olho), um aparelho binocular que pode detectar cansaço ou a presença de álcool e de cinco drogas específicas apenas mapeando a pupila de uma pessoa.
O aparelho foi testado em prisioneiros de West Virginia e o poder legislativo de Illinois aprovou uma lei em abril para comprar 15 unidades para um teste de 18 meses. O equipamento continua a ser testado e seu preço ainda será definido.
O EyeCheck elimina a necessidade de exames de urina, que custam cera de US$ 15 cada um. Ele pode ser usado por policiais durante patrulhas para examinar motoristas e detectar cansaço em caminhoneiros.
Não faz parte das preocupações do escritório a possibilidade de os aparelhos irromperem o direito constitucional de privacidade das pessoas. ‘‘Eu não estabeleço políticas’’, diz Koshiba, o diretor. ‘‘Nós endossamos a tecnologia, não o produto. O sistema judiciário e os tribunais determinarão se isso pode ou não pode ser usado.’’
Allen e Koshiba dizem que seus produtos pouco conhecidos têm um importante propósito numa economia na qual a propriedade da informação está disponível mas não acessível para pequenos negócios.
O web site do centro de tecnologia e um serviço de ligação telefônica ajudam grandes e pequenos negócios a descobrir quem está fazendo que tipo de pesquisa e onde, dando acesso à maior base de dados do mundo, a das pesquisas custeadas pelo governo federal.
‘‘As companhias querem saber o que funciona. Nós temos técnicos especialistas para descobrir se funciona, se é exclusivo, se está patenteado’’, diz Allen. ‘‘O governo não emprega fundos em pesquisas para fazer produtos, o governo faz pesquisa para realizar uma missão.’’
Mas para cada dólar gasto em pesquisa, são necessários US$ 10 para desenvolver um produto e poucos deles chegam ao mercado.
‘‘É muito arriscado, financeiramente, para o setor privado envolver-se em pesquisa’’, diz Allen. ‘‘Então, nós nos colocamos como um terceiro avaliador. Nós ficamos com uma porcentagem do negócio e damos de volta a eles o que acreditamos que seja de valor - ou falta de valor - pelo serviço. Pesquisadores não oferecem isso.’’

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