Associated Press
De Harare
Cerca de 700 veteranos armados da guerra de independência de Zimbábue ocuparam no domingo à noite a fazenda Forester, que contém uma das maiores plantações de tabaco do mundo, a 100 quilômetros da capital do país, Harare. A invasão foi a mais recente das cerca de mil ocupações de propriedades de brancos realizadas nas últimas semanas pelos veteranos negros, aliados do presidente do país, Robert Mugabe.
Após a ocupação, os sem-terra negros foram convencidos por policiais a deixar em liberdade o administrador da propriedade, Duncan Hamilton, e sua família, que tinham sido sequestrados três horas antes. Na semana anterior, dois fazendeiros brancos foram mortos durante as invasões.
Além da Forester, uma outra fazenda, em Wedza, a 130 quilômetros de Harare, também foi atacada no domingo. Ali, vários hectares de plantações de tabaco foram incendiados e um trabalhador negro foi sequestrado pelos veteranos, que entre 1972 e 1980 lutaram ao lado de Mugabe contra o domínio britânico.
Como herança do período colonial, a quase totalidade das propriedades cultiváveis do Zimbábue está em mãos de fazendeiros brancos. Numa medida populista, destinada a garantir votos para as eleições parlamentares de maio, Mugabe declarou há uma semana que não reprimiria as invasões.
Mas, segundo testemunhas, a pressão internacional para que o governo zimbabuano intervenha para frear a violência política está surtindo resultados. ‘‘A polícia está agindo de forma muito mais ativa nas últimas 48 horas para garantir a segurança dos proprietários’’, disse o presidente da associação dos fazendeiros, Tim Henwood.
A advertência mais dura ao governo de Mugabe veio de Londres, onde o chanceler britânico, Robin Cook, afirmou que a ajuda da Grã-Bretanha a Zimbábue seria suspensa até que a onda de violência não terminasse.
Por sua parte, o governo australiano, por meio do ministro da Imigração, Philip Roddock, ofereceu refúgio aos fazendeiros que queiram abandonar Zimbábue.
Apesar do último episódio de agressão, dezenas de fazendeiros brancos, cujas propriedades tinham sido ocupadas há várias semanas, começaram ontem a voltar para suas terras perto de Harare. Eles tinham saído de lá para escapar da onda de violência. O regresso dos fazendeiros não é bem visto pelos militantes do partido do presidente Robert Mugabe, que pedem uma melhor divisão de terras. De acordo com um fazendeiro que pediu anonimato, houve vários incidentes isolados: três fazendas foram ocupadas e um fazendeiro agredido.
Mas também houve sinais de reconciliação ontem: um grupo de veteranos aceitou se reunir perto de Marondera (leste) com fazendeiros brancos e se comprometeu a controlar a violência na região, uma das mais afetadas pelo movimento de reivindicação de terras.
Os 45 fazendeiros que retornaram às suas terras na região tinham deixado a área logo depois da morte de um deles, David Stevens, durante uma explosão de violência que matou ainda outro fazendeiro branco e seis negros.Veteranos desta vez entraram na fazenda que é a maior produtora de tabaco do mundo; em outra propriedade a plantação foi incendiada
France PresseDESTRUIÇÃOFazendeiro observa a propriedade, destruída por veteranos da guerra da independência no Zimbábue. A quase totalidade das áreas agricultáveis do país está nas mãos de brancos

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