Nova onda de violência deixa 3 mortos no Timor
Associated Press
De Dili, Timor Leste
Uma nova onda de violência, ontem, deixou três mortos em Timor Leste, apesar dos apelos da Organização das Nações Unidas (ONU) para que o exército indonésio reforce a segurança e combata a ação de milícias antiindependências às vésperas do referendo sobre o futuro do território.
Aproximadamente 800 milicianos atacaram a aldeia de Memo, próxima à cidade de Maliana, controlada pela milícia pró-Jacarta. Mais cedo, partidários pró-independência entraram em conflito com um grupo de paramilitares que se dirigia à aldeia.
Nós estamos prontos e esperando por eles (os paramilitares), disse o aldeão Anacleto Lopes. Fomos informados de que eles estão entrando para nos atacar, mas nós revidaremos.
Mais tarde, foram ouvidos vários tiros quando os milicianos entraram na cidade. Militantes armados com armas caseiras e facas bloquearam a entrada de jornalistas e ameaçaram um funcionário das Nações Unidas.
Testemunha disseram que duas pessoas foram mortas a punhaladas por membros da milícia Dudarus Merah-Putih e uma outra foi assassinada a tiros.
KIPER, um grupo independente de monitoramento do referendo, afirmou que os milicianos incendiaram nove casas antes de os aldeãos virarem o jogo e destruir alguns de seus carros.
Na capital Dili, a missão da ONU acusou a polícia indonésia de não agir para impedir as ações da milícia. Ian Martin, chefe da Missão da ONU no Timor Leste, condenou a matança e reafirmou que a organização internacional continua firme em sua determinação de realizar o referendo na segunda-feira, que permitirá aos timorenses escolherem entre a independência ou permanecer parte da Indonésia como uma região autônoma.
A Indonésia invadiu Timor, uma ex-colônia portuguesa, em 1975 e anexou o território no ano seguinte. A partir daí, uma onda de violência e de abusos de direitos humanos por parte dos militares indonésios tomou conta da região.





