Nova onda de refugiados na Albânia e Macedônia
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Associated Press 
Albaneses étnicos chegaram à Albânia nesta quarta-feira a bordo de tratores e a pé, alguns contando terem visto montes de corpos nas comunidades de Meja, perto da cidade kosovar de Djakovica. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que os relatos aparentemente apontavam para uma nova onda de assassinatos no sudoeste de Kosovo.
As histórias... parecem indicar que mais pessoas foram mortas nos últimos dias na área de Djakovica por tropas paramilitares do que em qualquer outro caso de ataque anterior, disse Kris Janowski, do Alto Comissariado da ONU para Refugiados.
Mais de 600.000 refugiados deixaram Kosovo, a província sérvia de maioria albanesa localizada no sul da Iugoslávia, desde março. Outras centenas de milhares de albaneses étnicos estão sem abrigo e foram expulsas de casa em Kosovo, que tinha uma população de dois milhões antes da guerra.
Em torno de cinco mil albaneses étnicos entraram anteontem na Macedônia - o número mais alto em semanas a chegar à região num só dia. Eles aparentemente são os primeiros de uma grande onda de refugiados expulsos do Kosovo com a intensificação da operação de limpeza sérvia no sul e no leste da capital da província, Pristina. Ao leste, outros 2 mil refugiados entraram pelo posto de fronteira de Lojane, que fica longe do alcance dos grupos de ajuda.
A nova onda de mais de 13 mil albaneses étnicos que chegou à Macedônia nos últimos quatro dias piora a tensão entre as necessidades humanitárias e os temores políticos do governo local. Muitas autoridades insistem que o país não pode aceitar mais refugiados e se preocupam com as escalas demográficas que tendem a favor dos albaneses étnicos, que representavam cerca de um terço dos 2,1 milhões de pessoas do país antes da crise do Kosovo. Oficiais da ONU estimam que pelo menos 136 mil kosovares albaneses estão atualmente na Macedônia.
Muitos dos refugiados que chegaram à Macedônia eram albaneses étnicos da Sérvia que chegaram ao país por meio de passagens nas montanhas longe da concentração das equipes de socorro. O ministro da Defesa da Macedônia disse que cinco refugiados foram mortos por minas terrestres no lado iugoslavo da fronteira.
Os refugiados foram forçados a dormir do lado de fora, em barracas de plástico, no posto de fronteira de Blace porque não havia mais espaço para eles. Milhares de outros que chegaram depois esparavam para pegar um trem para a fronteira, disse ele.
Mais de 4.000 kosovares de origem albanesa foram executados pelas forças de segurança e exército iugoslavos, desde que começaram os ataques da Otan contra a Iugoslávia, há cinco semanas, estimou ontem o Pentágono.
Tais estimativas se baseiam em depoimentos dos refugiados colhidos por organizações internacionais e não incluem atos isolados de assassinato, reportados em alguns casos, disse ontem o porta-voz do departamento da defesa, Kenneth Bacon.
Acreditamos que o número de pessoas assassinadas pela polícia especial e o Exército sérvios é provavelmente muito superior a 4.000, disse.
Os técnicos continuam tendo dificuldades para avaliar o custo financeiro da ação humanitária e o apoio econômico, que o impacto da guerra de Kosovo tornou indispensável e urgente nos Bálcãs, mas sabem que a cifra prossegue crescendo. Em 1999, os seis países mais atingidos pelo conflito (Albânia, Macedônia, Bósnia, Bulgária, Croácia e Romênia) necessitam de financiamentos suplementares de 1,826 bilhão de dólares, ou seja 2,5% da soma de seus PIBs, segundo um estudo do Banco Mundial e do FMI.


