Millhares de residentes das províncias sulinas afegãs, de onde se retiraram os talebans, fogem para o Paquistão, cujo governo tenta fechar a fronteira para evitar que entrem combatentes desta milícia fundamentalista. Os bombardeios do Exército norte-americano e o temor da intensificação dos combates caso os talebans resistam em Kandahar e nas províncias limítrofes que asseguram ter sob seu controle, provocou uma nova onda de refugiados.
A imprensa local do Paquistão informou ontem que milhares de pessoas nas província de Kandahar, Helmez e Nimorz, no extremo sul do Afeganistão, se dirigiam para a fronteira paquistanesa. A meta dos últimos refugiados é Baluchistan, província paquistanesa fronteiriça com o Afeganistão na qual entraram já dezenas de milhares de afegãos desde que os EUA iniciaram os bombardeios contra os talebans.
Uma equipe do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) deve viajar para Baluchitan a fim de confirmar informações sobre a chegada em massa de refugiados das províncias afegãs no sul do país, segundo o diário ''The News''.
A ACNUR, junto com a organização de ajuda humanitária ''Islamic Relief'', já enviou provisões este fim de semana para alimentar 1.000 famílias em Dabaldin, distrito de Baluchistán ao que se dirigem os que fogem desde Kandahar e das províncias limítrofes.
O governo paquistanês, que fechou sua fronteira com o Afeganistão, anunciou na semana passada que havia enviado milhares de soldados adicionais à linha fronteiriça para impedir a entrada ilegal de combatentes talebans. Teme-se também que essa linha de 2.400 quilômetros de fronteira possa ser violada pelos militantes da Al Qaeda.
Apesar das medidas tomadas pelo governo de Islamabad, que cerca de 140.000 afegãos se infiltraram no país, nos últimos meses.

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