Nova ofensiva contra o terror
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de agosto de 1998
France Presse 
A polícia irlandesa está pronta para desencadear uma forte ofensiva contra os extremistas republicanos, segura de ter novos poderes sem precedente na luta antiterrorista, que foram determinados pelo governo de Dublin depois do atentado de Omagh.
O primeiro-ministro Bertie Ahern, que jurou esmagar o IRA autêntico apesar de sua trégua, espera convocar as duas câmaras do Parlamento a uma sessão extraordinária dentro de duas semanas, com a esperança de aplicar o dispositivo mais rígido antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ao Ulster, no dia 3 de setembro.
As novas medidas antiterroristas, as mais duras na história do país, segundo o governo, foram claramente destinadas a atacar o grupúsculo responsável pela tragédia de Omagh (28 mortos e 200 feridos), que conta com um total entre 50 e 150 ativistas, segundo as fontes.
Paradoxalmente, os principais chefes militares desse movimento - todos instalados na República da Irlanda - são conhecidos pelas forças da ordem, que não podem prendê-los por falta de provas.
Mas a nova lei deve conceder-lhe os meios para detê-los, embora tenha sido criticada pelos defensores dos direitos cívicos na Irlanda, que a vêem como uma forma velada de prisão sem julgamento ou processo e é uma controvertida legislação de exceção a que Dublin não recorre por enquanto.
Considerado pela polícia como um ex-chefe do IRA, Mckevitt negou na última terça-feira qualquer relação com o atentado de Omagh, mas fugiu de sua residência perto de Dundalk, reduto nacionalista situado perto da fronteira interirlandesa.
Segundo fontes ligadas aos serviços de segurança, a Garda, a polícia irlandesa, acompanha de perto seus movimentos, assim como os de sua companheira, Bernadett McKevitt, passionária da luta para a reunificação irlandesa e porta-voz da ala política do IRA autêntico.


