Bagdá - O jornal britânico The Sun publicou ontem uma nova foto de Saddam Hussein, um dia depois da publicação de uma série de imagens do ex-presidente iraquiano na prisão, com o risco de alimentar ainda mais a polêmica.
  A fotografia, tirada atrás dos arames farpados, mostra Saddam vestido com uma longa túnica branca, caminhando e parecendo conversar com alguém. O tablóide também mostra a foto de um primo de Saddam Hussein, Ali Hassan al-Majid, conhecido como ‘‘Ali, o Químico’’, por seu papel nos ataques a gás durante uma ofensiva contra os curdos, em 1987, no norte do país.
  Aparece ainda a fotografia da doutora Huda Saleh Mehdi Amache, uma bióloga chamada de ‘‘Madame Antraz’’ e ‘‘Sally, a Química’’ por seu envolvimento no programa iraquiano de desenvolvimento de armas de destruição em massa.
  Os advogados do ex-ditador anunciaram na sexta-feira que pretendem entrar na Justiça contra o Sun por ter publicado fotos de seu cliente, uma delas de cueca. O jornal se defende, alegando que o material foi entregue por ‘‘fontes militares americanas (...) na esperança de aplicar um golpe à resistência no Iraque’’.
  O Exército dos Estados Unidos já anunciou a abertura de uma investigação sobre a origem das fotos, que ‘‘violam as regras do Departamento da Defesa e, provavelmente, as Convenções de Genebra sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra’’.
  O presidente americano, George W. Bush, afirmou na sexta-feira que não teme reações violentas no Iraque pela publicação das fotos. ‘‘Não acho que uma foto inspire assassinos. Acho que eles são inspirados por uma ideologia que é tão cruel e arcaica que é difícil para muitos no mundo ocidental compreenderem o que pensam’’, afirmou Bush aos jornalistas na Casa Branca, ao ser questionado sobre o possível impacto das imagens entre os rebeldes iraquianos.
  No entanto, para o diretor do jornal árabe Al-Quds al-Arabi, com sede em Londres, Abdel Bari Atwan, estas fotos vão ‘‘alimentar a resistência e provocar mais ataques com bombas’’.
  Saddam Hussein, de 68 anos, foi detido em dezembro de 2003 e é mantido preso em uma penitenciária iraquiana dirigida pelo exército americano. O julgamento do ditador pode começar nos próximos meses, informou na sexta-feira o ministro iraquiano do Planejamento, Barham Saleh.
  A violência não dá trégua no Iraque. Três civis iraquianos morreram em ações dos soldados do país e os corpos de cinco civis mortos a tiros foram encontrados ao norte e ao sul de Bagdá. ‘‘Duas pessoas que mostraram um comportamento suspeito a bordo de um veículo, que não quis parar em um posto de controle, foram mortas 38 km ao sul de Bagdá, entre Latifiya e Mahmudiya’’, afirmou o capitão Haidar Obaidi.

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