Nova explosão mata mais 17 na Rússia
Sergei Venyavsky
Associated Press
De Volgodonsk
Pelo menos 17 pessoas morreram e mais de 180 ficaram feridas nesta quinta-feira na quarta explosão de um prédio residencial na Rússia em duas semanas. Mais uma vez, as autoridades culparam terroristas.
Em meio a crescentes especulações de que o governo pode vir a enfrentar uma crise política por sua aparente incapacidade de pôr fim à onda de ataques, o presidente Boris Yeltsin insistiu que as autoridades têm o poder de acabar com o terrorismo.
O primeiro-ministro Vladimir Putin deu a agências governamentais três dias para elaborar planos reforçando a segurança em indústrias, meios de transporte, comunicações e instalações energéticas, assim como em áreas residenciais.
Durante uma reunião de seu gabinete, ele se voltou para câmeras de televisão e pediu aos cidadãos para se protegerem também. Quero me dirigir a militares veteranos, policiais veteranos. Tomem vocês mesmos iniciativas, apelou.
A fachada de um edifício de nove andares da cidade de Volgodonsk, cerca de 800 quilômetros ao sul de Moscou, foi destroçada por explosivos escondidos num caminhão ou numa tubulação subterrânea por volta do amanhecer de ontem, informaram autoridades. Pelo menos 17 pessoas, entre elas duas crianças, foram mortas, e 184 outras ficaram feridas, com 69 delas sendo hospitalizadas, disseram oficiais.
Autoridades culpam militantes islâmicos por três explosões anteriores em prédios uma na sulista cidade de Buinaksk e as duas outras em Moscou. Pelo menos 275 morreram nessas explosões.
Volgodonsk tem 250 mil habitantes e boa parte deles trabalha numa central nuclear inacabada, situada a 15 quilômetros da cidade. Um porta-voz da empresa disse que não há material nuclear estocado no local porque, por problemas financeiros, a usina ainda não começou a operar. A cidade fica próxima da volátil região montanhosa do norte caucasiano, onde forças russas estão combatendo militantes islâmicos desde o início de agosto.
Em cenas que estão se tornando tristemente familiares na Rússia em dias rencentes, equipes de resgate e voluntários vasculhavam os destroços do edifício em busca de sobreviventes. Vizinhos chocados e parentes chorosos observavam. Enquanto isso, bombeiros tentavam apagar um incêndio que consumia diversos andares do prédio.
Numa carta de condolências a Vladimir Chub, o governador regional, Yeltsin escreveu que novas tentativas foram feitas para intimidar os russos, para espalhar medo e pânico. Mas os terroristas nunca conseguirão atingir seus objetivos. Eles não irão nos quebrar. As autoriades têm vontade suficiente e recursos suficientes para lutar contra o terrorismo.
A aptidão de Yeltsin para governar a Rússia foi novamente questionada com a recente onda de atentados e o conflito não resolvido no Daguestão, sul da Rússia.
O líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, disse que o último atentado pôs à mostra a paralisia de todo o sistema de segurança da Rússia, segundo a agência de notícias Itar-Tass.
A seção de Moscou do Partido Comunista pediu a seus seguidores para formar comitês de autodefesa contra terroristas. Ninguém além de nós irá nos defender, afirmou o partido num comunicado.
A emissora de televisão NTV informou ontem que a polícia evitou seis ataques em pontos diferentes do país e encontrou nos últimos dias 3,5 toneladas de explosivos estocadas em 76 sacos em uma garagem particular em um bairro industrial na periferia de Moscou. Na segunda-feira as autoridades descobriram outras 3,5 toneladas disfarçadas como açúcar e guardadas no porão de um prédio de Moscou.
O líder separatista checheno Aslan Maskhadov reiterou ontem que os cidadãos de sua república não têm nada a ver com os atentados perpetrados nos últimos dias na Rússia. A Chechênia se converteu em um naipe nas mãos de potências mundiais que querem se apoderar do Cáucaso expulsando os russos, disse Makhadov, que falava em Grozny, a capital chechena, para protestar contra os bombardeios russos sobre a Chechênia durante as operações na fronteira com o Daguestão.
O líder acrescentou que os bombardeios aéreos russos dos últimos dias em seu país produziram pelo menos 200 mortos entre a população civil. Os militares russos desmentiram em várias ocasiões a versão chechena de ataques a objetivos civis em seu território e afirmaram em troca que atacaram as bases guerrilheiras dentro da fronteira do Daguestão.Cada vez mais pressionado, o governo do premier Vladimir Putin deu às agências governamentais três dias para reforçar a segurança
Nova tragédiaA fachada do edifício de nove andares foi destroçada por explosivos escondidos num caminhão ou numa tubulação subterrânea. As autoridades voltaram a culpar terroristas islâmicos pelos últimos atentados que matararm pelo menos 275 pessoas. Líderes islâmicos na Chechênia negaram vínculo com as explosões





