Associated Press
De Moscou
Pelo menos 73 pessoas, incluindo sete crianças, morreram e dezenas estavam ontem desaparecidas e presumivelmente enterradas sob toneladas de escombros depois que uma suposta bomba pulverizou na madrugada de ontem um prédio de oito andares de Moscou.
Autoridades culparam terroristas pela explosão, e pediram à população para ajudar a encontrar um homem que teria alugado um espaço nesse prédio e em um outro que foi explodido quatro dias atrás. Mais de 200 pessoas já morreram numa série de atentados à bomba na Rússia nas últimas duas semanas.
O governo ordenou uma grande operação de segurança em Moscou e em outras cidades. A polícia está checando estações de metrô e outras áreas movimentadas, pedindo identidade e vasculhando prédios em toda Moscou em busca de explosivos armazenados.
Líderes russos prometeram agir com rigor contra quem seja o responsável pelas explosões, apesar de ninguém ter de imediato assumido responsabilidade. O presidente Boris Yeltsin afirmou que terroristas declararam guerra à Rússia.
‘‘Terroristas estão tentando amedrontar o povo russo. Eles estão tentando desmoralizar o Estado’’, declarou Yeltsin num pronunciamento televisionado à nação.
Yeltsin ordenou estritas medidas de segurança em aeroportos, usinas nucleares, oleodutos e outros possíveis alvos em todo o país. Ele deu 24 horas ao prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, para vasculhar todos os 30.000 prédios residenciais da cidade.
Luzhkov disse que áreas movimentadas como mercados e transportes públicos terão reforços de segurança, e sugeriu que ‘‘convidados’’ ou visitantes da capital – especialmente aqueles não registrados na polícia – poderiam ser afastados.
Luzhkov vinculou as duas explosões à luta na região sulista russa de Daguestão, onde tropas governamentais combatem rebeldes islâmicos que ocuparam várias vilas.
O ministro do Interior Vladimir Rushailo disse numa entrevista à televisão na noite de ontem que as explosões são obra de dois senhores da guerra da Chechênia que lideram a ofensiva no Daguestão: Shamil Basayev e Khattab, um jordaniano conhecido apenas por um único nome.
‘‘O que aconteceu em Moscou é obra dessas pessoas’’, afirmou ele na televisão NTV.
A última explosão fez aumentar temores de que o governo venha a usar os cruéis atentados para declarar um estado de emergência. Opositores de Yeltsin têm denunciado por meses que o presidente está procurando um motivo para assumir poderes emergenciais e assim suprimir seus adversários e fortalecer seus poderes.
Mas Yeltsin enfatizou ontem que o estado de emergência não é iminente, dizendo que as autoridades irão agir dentro da legalidade.

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