Nova edição da Charlie Hebdo esgota na França
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
France Presse 
Paris - O primeiro número da Charlie Hebdo desde o atentado que dizimou a redação da revista se esgotou ontem em toda a França e sua tiragem passará de três a cinco milhões de exemplares para enfrentar a demanda, anunciou sua distribuidora. "O editor decidiu nesta manhã aumentar a tiragem a cinco milhões", declarou Véronique Faujour, presidente da distribuidora MLP. Serão distribuídos 500 mil exemplares diários, o que permitirá abastecer todas as bancas que solicitarem, afirmou.
O número histórico da revista se esgotou na manhã de ontem em toda a França pouco depois de começar a ser vendido nas bancas. Em sua capa, os sobreviventes da revista representaram Maomé com uma lágrima carregando um cartaz com a frase "Je suis Charlie" e sob o título "Tudo está perdoado", após o ataque que deixou 12 mortos, entre eles os chargistas mais famosos da revista satírica.
O Irã condenou a publicação ontem, classificando-a de insultante e prejudicial "aos sentimentos dos muçulmanos". "Condenamos o terrorismo em todo o mundo (...) mas ao mesmo tempo condenamos este gesto insultante da revista", afirmou a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Marzieh Afkham, após a publicação do primeiro número da revista após o atentado da semana passada.
O desenho "fere os sentimentos dos muçulmanos" e pode "desencadear um novo círculo vicioso de terrorismo", acrescentou. "O abuso da liberdade de expressão, disseminado atualmente no Ocidente, não é aceitável e deve ser impedido", disse a porta-voz.
O presidente moderado iraniano, Hassan Rohani, condenou na semana passada a violência e o terrorismo e estimou que o atentado contra a revista provocará uma onda de islamofobia.
A publicação na capa de um desenho do profeta também foi criticada pela imprensa iraniana, que a considera insultante para os valores do Islã.
A rádio da organização jihadista Estado Islâmico (EI) considerou "extremamente estúpida" a publicação de novas caricaturas de Maomé na revista. "A Charlie Hebdo publicou novamente caricaturas que ofendem o profeta e isso é um ato extremamente estúpido", considerou a rádio Al-Bayan do EI, que controla territórios extensos no Iraque e na Síria.
O mufti de Jerusalém, a mais alta autoridade religiosa nos territórios palestinos, denunciou como um insulto aos muçulmanos a capa com a charge de Maomé, mas rejeitou que se recorra à violência. "Este insulto feriu os sentimentos de cerca de dois bilhões de muçulmanos no mundo", afirmou grande mufti Mohammad Hussein em um comunicado.
"As caricaturas e outras provocações danificam as relações entre os fiéis das fés abraâmicas", afirmou ainda, referindo-se às três religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. O mufti é o responsável pelos lugares sagrados do Islã em Jerusalém, começando pela mesquita de Al Aqsa.


