O senador peronista Emilio Cantarero, que, segundo o jornal La Nación, reconheceu ter recebido dinheiro para votar a reforma trabalhista enviada ao Congresso pelo governo, viu-se ontem envolvido em um outro escândalo semelhante. De acordo com o diário Página 12, Cantarero teria oferecido, em nome de companhias de petróleo, uma quantia não informada à senadora Silvia Sapag para que ela apoiasse uma nova lei sobre hidrocarboreto.
Cantarero é presidente da comissão de energia do Senado, cargo ao qual tentou renunciar ontem. Entretanto, seus colegas peronistas conseguiram que ele solicitasse apenas licença, temerosos de que sua demissão confirmasse as suspeitas de corrupção.
A informação do Página 12 reviveu o escândalo político que explodiu há um mês diante de denúncias de que vários senadores peronistas, e alguns da Aliança governante, teriam recebido subornos para votar uma controversa reforma trabalhista.
O juiz federal Carlos Liporaci, que investiga o caso, ordenou a presença no tribunal de 11 dos 72 senadores, direta ou indiretamente envolvidos no episódio da lei trabalhista. O magistrado também resolveu investigar o patrimônio de tais senadores, assim como a origem dos fundos dos supostos subornos.
Segundo o La Nación, Cantarero reconheceu diante de uma de suas jornalistas ter cobrado suborno para votar a lei trabalhista. Logo em seguida, retratou-se, mas a história saiu na primeira página do jornal no dia seguinte.
Ontem, Cantarero também negou a afirmação de seu colega Sapag e a atribuiu a uma suposta campanha orquestrada pelo vice-presidente Carlos Alvarez, que também é presidente do Senado, para desprestigiar os peronistas.

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