Nova Constituição da Bolívia é aprovada
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Das Agências<br>Folhapress 
La Paz - Em meio a violentos confrontos de rua, que deixaram ao menos três mortos e dezenas de feridos, assembleístas fiéis ao presidente da Bolívia, Evo Morales, aprovaram sábado à noite, em primeira instância, a nova Constituição do país, sem a presença dos partidos oposicionistas. O texto foi aprovado em plenária por 136 dos 139 presentes em sessão dentro de um quartel militar, em Sucre. Segundo a agência oficial de notícias ABI, o texto da Carta nem sequer foi lido por causa da tensão pelos confrontos.
Uma das propostas mais polêmicas defendidas pelos governistas era a introdução da reeleição indefinida para presidente. Hoje, o mandato na Bolívia é de cinco anos e sem reeleição contínua. A reação das forças oposicionistas foi imediata. O poderoso Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, que reúne a elite econômica do leste do país, afirmou em nota que ''a democracia está em luto''.
A partir de agora a Constituição deverá ser aprovada artigo por artigo. O presidente Evo Morales participou ontem de uma cerimônia pública em La Paz, mas não fez nenhum comentário sobre a situação na cidade de Sucre. Morales deseja uma nova Constituição para impulsionar sua política de mudanças, que inclui a recuperação de recursos naturais em favor do Estado.
Os fortes choques ocorridos em Sucre (sudeste do país) e nas proximidades de um colégio militar, onde a Constituinte era deliberada, deixaram três mortos - um no sábado e dois ontem -, incluindo um advogado e um policial, e centenas de feridos, um deles em coma profundo, segundo um comunicado médico.
Os manifestantes, especialmente estudantes, destruíram parte do quartel de bombeiros de Sucre, onde foram queimados 10 veículos, segundo a rádio Loyola. Também foram queimadas e saqueadas sedes da polícia de trânsito e outras unidades policiais.
A violência, que já era grande no sábado, aumentou ainda mais ontem, após ser divulgada a morte, a tiros, do advogado Gonzalo Durán, que teve seu corpo velado por alguns minutos durante a madrugada na Praça de Armas de Sucre.
O caos aumentou após a terceira morte registrada, (a segunda vítima não foi identificada), o que levou o comandante da polícia da Bolívia, general Miguel Vásquez, a retirar os oficiais da cidade. Vásquez afirmou que o policial Jimmy Quispe ''foi sequestrado e executado'' por populares. ''Não existindo as garantias, o alto comando policial e o Estado-Maior geral decidiram a retirada de todos os oficiais até que se apresentem as garantias correspondentes'', afirmou em uma entrevista coletiva.
O ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, líder do partido de direita 'Podemos', a principal força de oposição, condenou a aprovação de ''uma Constituição no quartel, escrita com fuzis e baionetas, e manchada com sangue de Sucre''.
A Constituinte permanecia paralisada desde o dia 15 e agosto, devido a divergências internas e pela pressão exercida por organizações civis de Sucre, que exigiam a aprovação da mudança dos poderes Executivos e Legislativos para esta cidade.
Diante da impossibilidade de se realizar sessões, a Assembléia se mudou na sexta-feira para um colégio militar, uma medida que não foi aceita pela oposição, que boicotou as deliberações. Foi neste contexto, e aproveitando que apenas com seus membros havia quorum, que a maioria governista aprovou sábado o ''texto geral'' da nova Constituição.


