O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) foi buscar nos Estados Unidos um bom motivo para se orgulhar do sistema eleitoral no Brasil. Convidados pela Ifes (Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais) – uma organização não governamental – para acompanhar a votação para presidência, o diretor-geral do TRE, Ivan Gradowski, e o vice-presidente e corregedor do Tribunal, Roberto Pacheco Rocha, acreditam que as eleições brasileiras são ‘‘de primeiro mundo’’. Na comparação entre os dois sistemas, os representantes do TRE são categóricos: ‘‘O nosso é superior’’.
Essa declaração que pode ser interpretada como um exemplo de amor à pátria não é por acaso. Enquanto os EUA ainda não sabem quem vai ser o sucessor de Bill Clinton na Casa da Branca, no Brasil, menos de duas horas depois de encerradas as votações já se conhecia o nome dos prefeitos da próxima gestão. O TRE se apóia nessa situação para enfatizar a eficácia do sistema eleitoral nacional e classificar como ‘‘frágil’’ o sistema norte-americano.
Gradowski e Pacheco Rocha apontam essa fragilidade como o principal problema da polêmica apuração dos votos americanos. Para o vice-presidente do TRE, por exemplo, o sistema eleitoral norte-americano, criado no século 18, deixou de ter razão histórica. ‘‘O impassse na apuração colocou em dúvida se o sistema se aplica à realidade atual’’, comentou.
Na avaliação de Pacheco Rocha, as eleições americanas funcionaram bem até o momento porque eram baseadas na confiança, o que fez com que a Justiça Eleitoral não se preparasse para possíveis fraudes ou falhas na apuração. Ele ressalta que nos EUA existem pelo menos dez sistemas diferentes de votação, que ele avalia como rudimentar, e que também dificultam a apuração.

mockup