''Nosso sistema é superior''
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Katia Michelle De Curitiba 
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) foi buscar nos Estados Unidos um bom motivo para se orgulhar do sistema eleitoral no Brasil. Convidados pela Ifes (Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais) uma organização não governamental para acompanhar a votação para presidência, o diretor-geral do TRE, Ivan Gradowski, e o vice-presidente e corregedor do Tribunal, Roberto Pacheco Rocha, acreditam que as eleições brasileiras são de primeiro mundo. Na comparação entre os dois sistemas, os representantes do TRE são categóricos: O nosso é superior.
Essa declaração que pode ser interpretada como um exemplo de amor à pátria não é por acaso. Enquanto os EUA ainda não sabem quem vai ser o sucessor de Bill Clinton na Casa da Branca, no Brasil, menos de duas horas depois de encerradas as votações já se conhecia o nome dos prefeitos da próxima gestão. O TRE se apóia nessa situação para enfatizar a eficácia do sistema eleitoral nacional e classificar como frágil o sistema norte-americano.
Gradowski e Pacheco Rocha apontam essa fragilidade como o principal problema da polêmica apuração dos votos americanos. Para o vice-presidente do TRE, por exemplo, o sistema eleitoral norte-americano, criado no século 18, deixou de ter razão histórica. O impassse na apuração colocou em dúvida se o sistema se aplica à realidade atual, comentou.
Na avaliação de Pacheco Rocha, as eleições americanas funcionaram bem até o momento porque eram baseadas na confiança, o que fez com que a Justiça Eleitoral não se preparasse para possíveis fraudes ou falhas na apuração. Ele ressalta que nos EUA existem pelo menos dez sistemas diferentes de votação, que ele avalia como rudimentar, e que também dificultam a apuração.


