Se o novo Papa Joseph Ratzinger quis dar um aviso ao mundo ao escolher o nome que adotará durante o seu pontificado, certamente foi de que a Igreja viverá, daqui para frente, um período de abertura. Esta é a avaliação do professor José Garcia Gonzales Neto, que leciona História da Arte nos Institutos Paulo XVI, em Londrina, e João Paulo II, em Marília, interior de São Paulo. Lembrando que o novo Papa ainda não disse em público os motivos que o levaram a escolher o nome, o professor afirma que os dois últimos pontífices a serem chamados de ''benditos'' demonstraram grande capacidade para a missão.
''Bento XV, que foi Papa de 1914 a 1922, acabou com o clima de caça às bruxas que reinava na Igreja no início do século XX, condenando tudo o que remetesse ao modernismo. Existiam na época os chamados integristas, que eram ultraconservadores. Bento XV, já na sua primeira encíclica, censura o movimento. Ele foi responsável, portanto, por um pontificado marcado pela abertura'', explica Gonzales Neto. O professor informa ainda que Bento XV inovou ao facilitar a formação de partidos católicos políticos, caracterizados por se oporem tanto ao comunismo como à direita radical.
''Ele foi um papa muito humilde e de ideais generosos. Teve uma atuação dificílima durante a 1 Guerra Mundial, lutando pela paz e pregando que o embate terminasse 'sem vencedores e sem vencidos', o que não agradou a nenhum dos lados.'' Ainda de acordo com o professor, a escolha do seu nome foi uma homenagem a Bento XIV, que também era de Bologna (Itália).
Na definição do historiador, Bento XIV foi o ''melhor Papa do século 18''. Ele afirma que o Pontífice, aberto às correntes de pensamento da época, não se furtou a dialogar, por exemplo, com os representantes do Iluminismo, e manteve correspondência até com Voltaire, considerado o ''príncipe dos ateus''.
Além das evidências emanadas pelo nome escolhido, Gonzales Neto lembra de um outro possível sinal do caminho a ser adotado pelo Vaticano de agora em diante: ''No século XII, um monge irlandês chamado Malaquias escreveu o livro 'Os sumos pontífices', no qual caracteriza cada próximo papa, a partir de Celestino II, com uma frase. Foram nominados na obra 112 papas. Bento XVI é o 111º, e até hoje as 'profecias' feitas por Malaquias bateram''.
De acordo com o professor, João Paulo II foi designado pela expressão ''do trabalho sob o sol'', que pode ser interpretada como a imensa atividade do Papa em todas as partes do mundo. Para João Paulo I foi reservada a palavra ''meia-lua'', que traduz provalmente o seu rápido pontificado. No caso de Bento XVI, a interpretação deve ser sobre as palavras ''a glória da oliveira'', que podem ser entendidas como a luta pela paz que o novo Papa poderá empreender.
O historiador observa que, embora seja citado em todas obras de História da Igreja, o livro do monge irlandês nunca mereceu um pronunciamento oficial por parte da Igreja Católica.

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