Noite de saques aumenta tensão social
Governo convocou reunião de emergência para discutir crise no Chile
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Governo convocou reunião de emergência para discutir crise no Chile
Folhapress 
São Paulo - Saques em um hotel e em vários supermercados, além de incêndios em diferentes partes do Chile registrados na madrugada desta quarta-feira (27), aumentaram a tensão na crise social que atinge o país há seis semanas.
Em resposta à noite de protestos, o presidente conservador Sebastián Piñera convocou uma reunião de emergência com diversos ministros na sede do governo, um dia depois de pedir que o Exército volte às ruas para defender a infraestrutura do país.
Segundo o ministro da Defesa, Alberto Espina, os protestos - que começaram em resposta ao aumento da tarifa do metrô há mais de um mês e passaram a abarcar pautas mais amplas, como a reforma constitucional - estão "alcançando níveis de violência que não eram vistos desde o retorno à democracia", em 1990.
A cidade turística de La Serena, que fica à beira-mar na costa norte do país, registrou um dos episódios mais violentos: o tradicional hotel Costa Real, no qual trabalham 60 funcionários, foi saqueado e em seguida queimado por homens encapuzados. Eles reviraram mesas, danificaram a pintura das paredes e quebraram janelas.
Na cidade portuária de San Antonio, na região de Valparaíso, a fúria foi repetida com atos de vandalismo nas instalações do jornal local “El Líder”. Em outubro, a sede do diário “El Mercúrio”, em Valparaíso, já havia sido incendiada. Ao sul, em Concepción, uma manifestação terminou com incidentes violentos entre homens encapuzados e a polícia.
Já em Santiago, a estação de metrô República - localizada em um distrito universitário no centro - sofreu novamente danos que obrigaram as autoridades a suspender sua operação, acrescentando um novo problema à rede ferroviária metropolitana, que já teve mais de 70 estações danificadas desde o início dos protestos, em 18 de outubro.
Em várias partes do país, os panelaços voltaram com força na noite de terça-feira (27), depois de ser noticiado que o estudante universitário Gustavo Gatica ficou totalmente cego devido às balas disparadas por oficiais há algumas semanas. Mais de 200 pessoas já tiveram a visão danificada nas manifestações.
Após a reunião no Palácio de la Moneda, em Santiago, Piñera advertiu que "a violência está causando danos que podem se tornar irreparáveis para o corpo e a alma da nossa sociedade".
Para o chefe do Senado, Jaime Quintana, de centro-esquerda, o presidente deveria assumir a responsabilidade pela violência. "O governo está longe de ter feito tudo o que poderia e deveria ter feito", afirmou.


