Noite de Cristal é lembrada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de novembro de 1998
Valerie Leroux France Presse 
O presidente da Alemanha Roman Herzog e dirigentes da comunidade judaica e alemã exortaram ontem seus cidadãos, ao completar-se o 60º aniversário da Noite de Cristal, a manter a memória do passado, para que nunca mais sejam queimadas igrejas, sinagogas ou mesquitas.
O que aconteceu na noite de 9 a 10 de novembro de 1938 faz parte de um dos momentos mais vergonhosos da história alemã, disse Herzog em cerimônia numa sinagoga em Berlim, na presença de 600 convidados, entre os quais estiveram o chanceler Gerhard Schroeder, o presidente do Conselho Central Judeu da Alemanha, Ignatz Bubis, e o Grande Rabino de Israel, Meir Lau.
Não basta falar dos crimes do Terceiro Reich, também é preciso informar aos jovens para que compreendam o que aconteceu e extraiam as consequências, disse Herzog.
Ao referir-se novamente à Noite de Cristal, o presidente reconheceu que na época poucos alemães reagiram contra a perseguição que sofriam os judeus. A debilidade da resistência ativa contra a humilhação e finalmente o extermínio de cidadãos judeus continua sendo escandalosa, afirmou.
Durante o progrom cuidadosamente preparado pelos nazistas e que passou à história como a noite de cristal, foram saqueados 250 sinagogas e 7.500 estabelecimentos de judeus em toda a Alemanha. Mais de cem pessoas foram assassinadas e mais de 20.000 deportadas.
Não devemos esquecer as vítimas da Shoah (Holocausto). Quem as esquecer as mata pela segunda vez, declarou profundamente emocionado, Ignatz Bubis.


