A família real britânica, desestabilizada nestes últimos anos por escândalos protagonizados por seus membros, perde com a princesa Diana a sua personalidade mais famosa e destacada tanto no reino quanto fora de suas fronteiras. O trágico evento acontece num momento em que a rainha Elizabeth II, depois dos divórcios de seus filhos, do afastamento de suas noras ‘‘escandalosas’’, e dez anos de extravagâncias e polêmicas, pensava poder voltar a situar a monarquia no caminho correto.
A princesa desaparece também no momento em que suas relações com frequência difíceis com a família e com Charles pareciam melhorar. Para a rainha, a morte de Diana, adorada por seus súditos e pelos meios de comunicação, encerra de forma dramática uma década agitada que chegou ao clímax em 1992.
Nesse ano, os dois casais preferidos da imprensa popular, o príncipe Andrew e Sarah Ferguson, em março, e depois Charles e Diana, em dezembro, reviraram o País de cabeça para baixo, ao se separarem oficialmente.
France PresseDestinoA rainha Elizabeth II e seu marido, o duque de Edinburgo: tragédia após dez anos de ‘‘extravagâncias’’ dos herdeiros do trono
Em abril de 1992, a filha única da rainha, Anne, já havia se divorciado depois de 18 anos de casamento. Apenas um mês depois voltou a casar, o que nunca havia ocorrido antes na história moderna da monarquia. Anne se afastou em seguida dos escândalos, convertendo-se em princesa exemplar.
Mas não foi o caso de Diana e de ‘‘Fergie’’, que não deixaram de sair nas primeiras páginas dos periódicos com suas aventuras, reais ou fictícias, com seus conflitos incessantes com a família real. Recentemente, a duquesa de York, cheia de dúvidas, depois de um divórcio em condições muito menos vantajosas que as de Diana, vendeu uma biografia salpicada de intrigas reais, e acumulou contratos publicitários.
Por sua vez, a princesa de Gales havia provocado a indignação, em seguida a uma entrevista para a BBC quando disse que seu ex-marido não estava pronto para desempenhar o papel de rei. Depois destes ajustes de contas, os divórcios do ano passado pareciam prenunciar uma nova época, menos agitada, para a monarquia britânica. Muito consciente dos danos já ocasionados, Elizabeth II iniciou ela mesma uma ampla reforma.
Segundo a imprensa, a rainha pensa tomar como exemplo as monarquias nórdicas, e abandonar finalmente a chamada lista civil, o subsídio financeiro repassado à família real pelo Estado desde o século XVIII.

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