Das agências
de Quito
O presidente equatoriano Gustavo Noboa começou, ontem, a organizar seu governo em meio à urgente necessidade de restabelecer a normalidade institucional. Noboa, de 62 anos, que assumiu sábado como presidente, apareceu desde então rodeado de uma série de amigos que, segundo comentários jornalísticos, poderiam converter-se em funcionários do governo em formação.
Uma tentativa de golpe de estado executada por indígenas e militares, em cujo processo houve pouca violência, derrubou sexta-feira o presidente Jamil Mahuad. Noboa assumiu o governo na condição de vice-presidente, substituindo o chefe de estado deposto.
Os equatorianos esperam que Noboa, com pouco mais de 24 horas no poder, designe o gabinete e tome as primeiras decisões para restabelecer definitivamente a ordem após o caótico fim de semana.
Noboa foi ontem pela manhã ao Palácio do Governo acompanhado por sua esposa María Isabel Baquerizo e por um grupo de amigos próximos, em sua primeira visita à sede governamental na condição de mandatário.
‘‘Vamos adiante, paz para o Equador’’, gritou Noboa ao se aproximar de jornalistas que o esperavam em frente ao palácio.
Dúvidas ‘‘Noboa é igual a Mahuad’’, afirmaram vários equatorianos entrevistados ontem, depois do golpe de estado de sexta-feira quando um levante de indígenas apoiados por coronéis derrubou o presidente constitucional Jamil Mahuad e o substituiu pelo vice-presidente Gustavo Noboa.
‘‘Mahuad e Noboa são iguais, foram eleitos na mesma chapa e porque seus programas eram iguais’’, disse María Quisphe, funcionária municipal de 60 anos.
César Ulcuango, jovem esportista, disse que ‘‘não creio que Noboa seja o homem para solucionar os graves problemas do país, onde as pessoas morrem de fome’’.
Assinalou também que ‘‘os indígenas foram traídos por um general (Carlos Mendoza) e por isso Noboa é hoje o presidente de um país que necessita de mão forte contra a corrupção’’.
Carlos Nepas, operário, observou que ‘‘Noboa não será o homem que resolve tudo. Terá que enfrentar os deputados que em sua maioria são antigovernistas e aí terá graves problemas’’.

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