Nobel reivindica direitos de índios
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
France Presse De Santiago de Compostela 
A prêmio Nobel da Paz-1992, Rigoberta Menchú, homenageada anteontem em Madri com um dos 12 Prêmios León Felipe, pediu em Santiago de Compostela (noroeste) uma Declaração Universal que defenda os Direitos dos Povos Indígenas.
Depois de 20 anos nos corredores da ONU, entendo que a Declaração dos Direitos Humanos foi feita para defender os indivíduos e não as comunidades, disse, ao discursar em um debate cultural realizado no Auditório de Galícia, explicando que ela mesma trabalha atualmente num projeto da ONU sobre o tema.
Para ela, deveria existir uma Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, em que figure a especificidade das culturas indígenas.
Nenhum tribunal tem sido justo com os indígenas, o que torna essencial uma convenção que ajude aos estados no cumprimento da lei, disse ela, antes de alertar sobre os prejuízos do militarismo e do autoritarismo aos povos latino-americanos.
Na América Latina, os povos indígenas não são os únicos prejudicados pelo seu efeito negativo. Para Rigoberta Menchú, o que ela classificou de cultura da ignorância atinge também milhões de pobres, os meninos de rua e as vítimas da Aids, entre outras minorias.
A dirigente indígena foi agraciada anteontem com o Prêmio León Felipe pela Justiça, que receberá em 5 de outubro, em Madri, junto com outras 11 personalidades internacionais que se destacaram nas mais diversas áreas, sociais ou culturais.
Rigoberta Menchú foi escolhida por ser uma mulher representativa da consciência moral de uma Guatemala com ânsia de viver em dignidade, em conciliação nacional e em paz.


