Nobel de Física vai para 3 cientistas americanos
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terça-feira, 05 de outubro de 2004
Salvador Nogueira<br>Folhapress 
São Paulo - Tem algumas descobertas que, ao renderem um Prêmio Nobel, só fazem pensar numa coisa: como ainda não haviam sido premiadas? É o caso dos físicos laureados ontem pela Real Academia de Ciências da Suécia, que desvendaram nada menos que o funcionamento da ''cola'' dos átomos. Isso, 31 anos atrás.
A conquista foi para os norte-americanos David J. Gross, 63, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, Frank Wilczek, 53, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), e H. David Politzer, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia).
Em 1973, Gross e Wilczek, trabalhando em parceria, e Politzer, sozinho, escreveram dois estudos publicados juntos no periódico ''Physical Review Letters'' que pareciam contradizer o bom senso. Eles sugeriam que a força que une os tijolos construtores de prótons e nêutrons na verdade aumentava com a distância, em vez de diminuir, como sugeriria a intuição.
Apesar de serem assim chamados, os famosos constituintes dos núcleos atômicos prótons e nêutrons não são partículas tão elementares assim. São feitos de outras partículas ainda menores, chamadas quarks. Mas os físicos passaram muito tempo intrigados por não verem os tais quarks ao que parece, eles só apareciam em duplas (nos chamados mésons) e em trios (em prótons e nêutrons), mas nunca sozinhos. Gross, Politzer e Wilczek descobriram o porquê: quando juntos, os quarks agem como se estivessem soltos. Mas, ao tentar separá-los, uma força muito intensa começa a agir, impedindo que desgrudem.
É assim que funciona a chamada força nuclear forte. Seu entendimento levou à teoria da cromodinâmica quântica (QCD, na sigla em inglês), que por sua vez, além de ofertar maior entendimento do mundo atômico, ainda deu asas ao sonho de reunir todas as forças da natureza num único arcabouço teórico. Daí a importância do trio laureado com o Nobel.
''Que eles ganhariam já era esperado. Já há muito tempo existe um reconhecimento da comunidade de que eles fizeram uma descoberta muito importante'', diz Victor Rivelles, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Com o surgimento da QCD, foi possível tentar juntar essa teoria unificada com a força nuclear forte. Um esforço foi feito nos anos 1980, e uma teoria resultante previu que os prótons não são estáveis e deveriam sofrer decaimento com o passar do tempo. Os cientistas tentaram observar isso, mas fracassaram, e a hipótese acabou sendo colocada de lado.
Enquanto isso, outro grupo de pesquisadores desenvolvia uma teoria para enfrentar o problema da unificação das forças como reunir a gravidade, que atua em grandes escalas, às forças quânticas, normalmente restritas à escala atômica e subatômica? As duas explicações atualmente disponíveis são incompatíveis.


