Oslo- O Prêmio Nobel da Paz será entregue no dia 10 de dezembro ao ''banqueiro dos pobres'' Muhammad Yunus, de Bangladesh, e ao seu Grameen Bank, que oferece microcréditos a pessoas sem recursos. O anúncio foi feito ontem em Oslo. ''Uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma parte importante da população encontre os meios para sair da pobreza'', declarou Ole Danbolt Mjoes, presidente do Comitê Nobel norueguês, ao explicar as razões que decidiram o ganhador do prêmio em 2006. ''O microcrédito é um desses meios'', acrescentou.
Yunus disse à rede pública de TV norueguesa NRK por telefone que estava ''muito encantado'' por ser premiado e que doará seu prêmio de 1,4 milhão de dólares para caridade. ''Vocês estão apoiando o sonho de obter um mundo sem pobreza'', acrescentou.
Chamado de o ''banqueiro dos pobres'', Muhammad Yunus, brilhante economista, fundou o banco Grameen, primeiro banco no mundo que dá microcréditos a pessoas totalmente insolventes.
Fundado em 1976, o Grameen Bank obteve status de banco em 1983. O conceito do banco Grameen (que significa povoado) foi exportado para mais de 40 países. Seu sistema de ''microcréditos'' permite aos muito pobres ter acesso a pequenas quantidades de dinheiro. O banco Grameen conta com 6,5 milhões de clientes em Bangladesh, 96% deles mulheres. Yunus já concedeu microcréditos no total de 5,7 bilhões de dólares.
A única condição para ser aceito como cliente é que as pessoas que pedem créditos devem requisitar empréstimo em grupos de cinco e se apoiar para reembolsar a dívida.
Danbolt Mjoes acrescentou que dar ''empréstimos a insolventes pobres parecia uma idéia impossível. Iniciando a atividade de forma muito modesta três décadas antes, Yunus, primeiro sozinho, e depois através do banco Grameen, converteu os microcréditos num instrumento de grande importância para combater a pobreza.
''O banco Grameen foi uma fonte de idéias e modelos para muitas instituições no campo do microcrédito que se difundiu por todo o mundo'', afirmou. O Grameen tem agora 6,5 milhões de clientes, dos quais 96% são mulheres. ''O microcrédito demonstrou ser uma importante força libertadora em sociedades em que - sobretudo as mulheres - se luta contra condições sociais e econômicas muito duras'', acrescentou o Comitê Nobel.

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