Os povos indígenas são os únicos do mundo que têm seus direitos pré-existentes e inerentes suspensos e submetidos de maneira inaceitável à negociação, declarou ontem, na conferência sobre racismo de Durban, a guatemalteca Rigoberta Menchú. A Prêmio Nobel da Paz lançou um apelo de atenção à conferência, à mídia e à opinião pública internacional ''para que não se consuma semelhante aberração jurídica e imoral''.
Numa coletiva, Menchú se declarou decepcionada e ofendida pela maneira como se desenrola a conferência, pois representantes dos povos indígenas achavam que os estados iam ter uma atitude mais autocrítica para assumir sua história, ''e não é o que ocorre em Durban''.
ProtestoGrupos de povos indígenas de diferentes partes do mundo protestaram ontem ante o local onde está sendo realizada a Conferência da ONU contra o Racismo, em Durban, e pediram o reconhecimento de seus direitos. Cantando e exibindo bandeiras, várias dezenas de manifestantes pediram a supressão de algumas palavras dos rascunhos dos documentos da Conferência, as quais, segundo eles, lhes negam o direito à autodeterminação.
O chamado ''páragrafo 27'' diz respeito aos ''povos indígenas'', mas acrescenta que este termo ''não tem implicação alguma que signifique direitos sob alguma lei internacional''.
''Não significa que temos direitos à autodeterminação, e nos negam nossos direitos coletivos'', declarou Masaharu Konaka, do Japão.

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