OSLO - Ao receber ontem, em Oslo, o Prêmio Nobel da Paz de 1996, que compartilha com o bispo católico de Timor Oriental, Carlos Belo, José Ramos-Horta, líder no exílio do movimento de resistência contra a ocupação indonésia da ilha, fez um apelo ao governo de Jacarta para que aceite um diálogo sem condições prévias. ‘‘Estamos prontos e abertos para um diálogo, no contexto da ONU, objetivando buscar uma solução para o problema de Timor Oriental’’, disse Ramos-Horta. Já o bispo Carlos Belo, preocupado com as pressões de Jacarta, preferiu não fazer declarações políticas. ‘‘Sou um líder religioso’’, disse o bispo aos jornalistas.
Timor Oriental, antiga colônia portuguesa no Sudeste da Ásia, foi invadido por tropas da Indonésia em 1975 e anexado um ano depois. A ONU não reconhece a anexação e considera Portugal administrador do território.
Os dois defensores dos direitos humanos em Timor Oriental, cada um dentro de suas atribuições, vão dividir o prêmio de 7,4 milhões de coroas suecas (equivalente a US$ 1,1 milhão). Eles receberam um diploma cada e uma medalha de ouro.
Em seu discurso, que contrastou com a cautela do bispo Carlos Belo, José Ramos-Horta voltou a comparar o drama da população timorense, em sua maioria católica, com o extermínio dos judeus na 2ª Guerra Mundial. E acusou a opinião pública internacional de reagir com passividade e indiferença à violência contra os timorenses. O presidente do Comitê do Nobel, Francis Sejersted, denunciou o ‘‘cinismo’’ da comunidade internacional em relação ao drama dos habitantes de Timor Oriental. Segundo ele, o resultado da ocupação indonésia e das ações repressivas foi a morte de 200 mil pessoas desde 1975, um terço da população da ilha. ‘‘E as violações de direitos humanos continuam’’, lembrou.
Outros premiados Os laureados com os prêmios Nobel de literatura, física, química, medicina e economia receberam ontem suas recompensas durante uma cerimônia solene no Palácio da Música de Estocolmo, no centenário da morte do criador do prêmio, o sueco Alfred Nobel.
A cerimônia se realizou segundo um ritual tradicional, com a diferença de que nesta ocasião se pronunciou um discurso em memória do sábio Nobel por motivo do centenário de sua morte a 10 de dezembro de 1896 em San Remo (Itália).
‘‘Alfred Nobel buscou infatigavelmente novas idéias e projetos que pudessem levar ao desenvolvimento de novos produtos e técnicas’’ a fim de ‘‘promover o crescimento econômico e a melhoria das condições de vida’’, declarou o presidente do conselho de administração da Fundação Nobel, Bengt Samuelsson.

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