Nobel da Paz acusa a Indonésia
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
das Agências 
OSLO - Ao receber ontem, em Oslo, o Prêmio Nobel da Paz de 1996, que compartilha com o bispo católico de Timor Oriental, Carlos Belo, José Ramos-Horta, líder no exílio do movimento de resistência contra a ocupação indonésia da ilha, fez um apelo ao governo de Jacarta para que aceite um diálogo sem condições prévias. Estamos prontos e abertos para um diálogo, no contexto da ONU, objetivando buscar uma solução para o problema de Timor Oriental, disse Ramos-Horta. Já o bispo Carlos Belo, preocupado com as pressões de Jacarta, preferiu não fazer declarações políticas. Sou um líder religioso, disse o bispo aos jornalistas.
Timor Oriental, antiga colônia portuguesa no Sudeste da Ásia, foi invadido por tropas da Indonésia em 1975 e anexado um ano depois. A ONU não reconhece a anexação e considera Portugal administrador do território.
Os dois defensores dos direitos humanos em Timor Oriental, cada um dentro de suas atribuições, vão dividir o prêmio de 7,4 milhões de coroas suecas (equivalente a US$ 1,1 milhão). Eles receberam um diploma cada e uma medalha de ouro.
Em seu discurso, que contrastou com a cautela do bispo Carlos Belo, José Ramos-Horta voltou a comparar o drama da população timorense, em sua maioria católica, com o extermínio dos judeus na 2ª Guerra Mundial. E acusou a opinião pública internacional de reagir com passividade e indiferença à violência contra os timorenses. O presidente do Comitê do Nobel, Francis Sejersted, denunciou o cinismo da comunidade internacional em relação ao drama dos habitantes de Timor Oriental. Segundo ele, o resultado da ocupação indonésia e das ações repressivas foi a morte de 200 mil pessoas desde 1975, um terço da população da ilha. E as violações de direitos humanos continuam, lembrou.
Outros premiados Os laureados com os prêmios Nobel de literatura, física, química, medicina e economia receberam ontem suas recompensas durante uma cerimônia solene no Palácio da Música de Estocolmo, no centenário da morte do criador do prêmio, o sueco Alfred Nobel.
A cerimônia se realizou segundo um ritual tradicional, com a diferença de que nesta ocasião se pronunciou um discurso em memória do sábio Nobel por motivo do centenário de sua morte a 10 de dezembro de 1896 em San Remo (Itália).
Alfred Nobel buscou infatigavelmente novas idéias e projetos que pudessem levar ao desenvolvimento de novos produtos e técnicas a fim de promover o crescimento econômico e a melhoria das condições de vida, declarou o presidente do conselho de administração da Fundação Nobel, Bengt Samuelsson.


