Oslo - O Prêmio Nobel da Paz 2007 atribuído ontem ao ex-vice-presidente americano Al Gore e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) estabelece claramente a relação até agora um tanto oculta entre aquecimento global e o risco de conflitos armados no mundo. Com este prêmio, a proteção ao clima é elevada à condição de prioridade como foi a luta contra o apartheid ou às minas antipessoais, o fim do conflito no Vietnã, a paz na América Central ou entre o Egito e Israel.
''As mudanças climáticas importantes podem alterar e ameaçar as condições de vida de uma grande parte da humanidade. Podem desencadear migrações em massa e criar uma feroz competição pelos recursos da terra'', afirmou o presidente do Comitê Nobel, Ole Danbolt Mjoes.
''Podem apresentar um alto risco de conflitos violentos e de guerras entre e dentro dos Estados'', acrescentou, assinalando que a ''ação é necessária agora, antes que a mudança climática escape ao controle do homem''.
Para o ex-coordenador de emergências da ONU, Jan Egeland, ''as guerras climáticas já estão em andamento, especialmente em Sahel'' (região africana situada entre o deserto do Saara e as terras férteis ao sul). ''Os nômades enfrentam os fazendeiros porque existe cada vez menos terras disponíveis por causa das mudanças climáticas'', explicou aos jornalistas.
No ano passado, o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, incluiu a mudança climática entre ''as principais ameaças para a paz e a segurança''.
O Prêmio Nobel, recompensado com um diploma, uma medalha de ouro e um cheque de 10 milhões de coroas suecas (1,08 milhão de euros, 1,52 milhão de dólares), será entregue aos seus ganhadores em Oslo no dia 10 de dezembro, data do aniversário da morte de seu fundador, o pesquisador e industrial sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite.

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