Bagdá - A sorte dos jornalistas franceses Christian Chesnot e George Malbrunot vinha sendo acompanhada, na noite desta terça-feira, de grande preocupação, depois de expirado o ultimato dado ao governo francês pelos sequestradores iraquianos, num momento em que outro movimento fundamentalista anunciou a execução de doze reféns nepaleses.
Os nepaleses foram degolados e baleados, informou o grupo islamita Ansar Al-Sunna, próximo à rede Al-Qaeda, no seu site internet, mostrando imagens bárbaras da execução em massa.
Trata-se do maior massacre de reféns no Iraque desde a queda do regime de Saddam Hussein, em abril de 2003. As autoridades nepalesas pediram à comunidade internacional que ''punam os autores desta atrocidade''.
O Comitê dos Ulemás, a principal organização sunita no Iraque, admitiu em entrevista coletiva à imprensa não manter qualquer contato direto com os captores dos dois jornalistas franceses, e divulgou, através da imprensa, um último apelo para sua libertação. ''Tememos que os dois franceses sejam executados'', declarou o xeque Mohammad Bachar al-Faidhi, porta-voz do Comitê.
Chesnot, da Radio France Internationale (RFI) e Malbrunot, do jornal Le Figaro, aparecem em um vídeo divulgado na noite de segunda-feira pela rede de televisão Al-Jazeera do Qatar, afirmando que correm risco de morte se a lei que proíbe o véu islâmico nas escolas públicas francesas não for revogada. ''Exortamos o povo francês e qualquer pessoa que conheça o valor da vida humana a se manifestar para pedir a revogação da lei sobre a proibição do véu islâmico, pois nossa vida está em perigo'', declarou Malbrunot.
''Se esta lei não for revogada, seremos provavelmente executados. É apenas uma questão de tempo, talvez de minutos, e estaremos entre os mortos'', afirmou Chesnot.

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