No Irã, reformistas já apóiam Rafsanjani
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domingo, 19 de junho de 2005
Folhapress 
SÃO PAULO - O aiatolá Hashemi Rafsanjani, favorito no segundo turno da eleição presidencial iraniana, procurou ontem atrair os moderados e os reformistas para o seu campo, em meio a temores de que a Guarda Revolucionária - vanguarda dos clérigos que detêm o poder no Irã - consiga votos para os conservadores.
O apelo funcionou. Os políticos reformistas pediram ontem votos de seus seguidores em Rafsanjani, para evitar que o linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, prefeito de Teerã, vença a eleição, que terá o segundo turno na próxima sexta-feira.
O principal partido reformista do país, a Frente de Participação do Irã Islâmico, declarou que é preciso impedir a vitória de Ahmadinejad, ligado à Guarda Revolucionária e aos paramilitares religiosos. ''Agora o país enfrenta o risco de sofrer o envolvimento direto de partidos militares'', disse o partido em nota.
Outro líder reformista, Behzad Nabavi, também declarou apoio a Rafsanjani, apesar de suas diferenças com o ex-presidente iraniano (1989-1997), que já foi considerado linha-dura e agora se coloca entre os moderados.
Mahdi Karroubi, um dos candidatos derrotados no primeiro turno, realizado na última sexta-feira, acusou a Guarda Revolucionária e seus simpatizantes de intimidar eleitores.
Rafsanjani venceu o primeiro turno, mas com apenas 21% dos votos, metade dos 40% que os analistas esperavam que ele obtivesse.
No entanto uma surpresa ainda maior foi a emergência do linha-dura Ahmadinejad - um ex-chefe da Guarda Revolucionária -, que chegou em segundo. Ele obteve 19% dos votos.
O chefe da campanha de Rafsanjani, Mohammed Baghir Nowbakht, falou em temor de manipulação. Ele afirmou que, se Ahmadinejad for eleito, ele não tolerará diferenças de opinião e estabelecerá um regime totalitário.
Nowbakht pediu os votos dos eleitores simpáticos aos reformistas - cuja ausência na votação de sexta poderá ajudar o prefeito de Teerã. No primeiro turno, o comparecimento às urnas chegou a 62% em todo o país, mas na capital Teerã, onde há mais eleitores pró-reformas, o percentual de comparecimento não passou de 50%.
Durante a campanha, Ahmadinejad tentou reviver o fervor da Revolução Islâmica, de 1979. O general Alireza Afshar, vice-comandante das Forças Armadas, comemorou o resultado. ''Um tsunami político no Irã pegou seus inimigos de surpresa e causou embaraço a Bush (presidente dos EUA) e mostrou a legitimidade da República Islâmica do Irã.''


