No aeroporto do Cairo, dor e muita revolta
France Presse,
do Cairo
Os parentes dos passageiros do Boeing 767 da EgyptAir gritavam sua cólera e seu desespero ontem, no aeroporto do Cairo, ao ser anunciada a lista dos passageiros do aparelho vôo Nova York-Cairo que caiu no mar, na costa leste dos Estados Unidos. Ao longo da tarde, dezenas de pessoas chegaram formando pequenos grupos na sala revervada aos familiares dos passageiros, onde as esperavam autoridades da companhia.
Várias pessoas desmaiaram diante da lista de passageiros. Alguns parentes, terrivelmente traumatizados, foram auxiliados com máscaras de oxigênio em um dos centros de assistência do aeroporto, explicou o médico Mohamed Ar Shobary, da companhia aérea.
Um representante da embaixada dos Estados Unidos declarou que havia uma equipe para ajudar os cidadãos americanos e as pessoas que esperavam cidadãos americanos.
Durante várias horas, os parentes e amigos dos passageiros mantiveram viva a esperança, até o anúncio de que se haviam achado restos do aparelho e a divulgação da lista de passageiros.
Que Alá nos proteja, que Alá nos guarde, repetia Ahmed Khalifa, de 19 anos, que, com sua mãe e seu irmão mais velho, esperava notícias sobre seu pai, Khalifa Ghali, um militar que estava nos Estados Unidos em visita de trabalho. Alguém gritou: é necessário fazer queixa, é preciso denunciar a EgyptAir.
Um funcionário da companhia explicou que a central telefônica do aeroporto estava entupida desde o anúncio do acidente. Em um centro operacional de vôos da EgyptAir 60 membros do pessoal da empresa estavam reunidos, à espera de notícias sobre seus colegas.
Pouco depois se soube que apareceram restos do avião. Acabou, eles morreram, ouviu-se uma voz.





