''Ninguém sabia o que fazer''
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Luis Jaime Acosta Reuters 
De uma hora para outra, tudo caiu como um castelo de cartas. Foi terrível. Com essa frase, Janeth Delgado, uma sobrevivente do terremoto de seis graus na escala de Richter, descreveu o momento do tremor, que atingiu uma ampla área do oeste da Colômbia, incluindo esta cidade cafeeira encravada na cordilheira Central dos Andes.
A tragédia, que teria deixado cerca de 2.000 mortos, é considera a pior desde a avalanche de lodo e pedras do vulcão Nevado de Ruíz, em 1985, que devastou a cidade de Armero e causou mais de 21.000 mortes.
Milhares de pessoas amanheceram ontem nas ruas de Armenia, depois de passarem a noite ao relento devido à destruição de suas casas e ao temor de que o pouco que ficou em pé desmoronasse.
Ninguém sabia o que fazer: se corria ou ficava quieto, tudo foi por terra, relatou Delgado entre soluços.
Armenia, com cerca de 220.000 habitantes, amanheceu como se tivesse sido alvo de um intenso bombardeio.
Centenas de edifícios ficaram completamente destruídos. Postes de energia elétrica caíram, obstruindo as ruas. E dezenas de construções que balançaram foram evacuadas diante do temor de que se desmoronassem.
Um dia depois da tragédia, a cidade continuava sem o fornecimento de energia elétrica, água potável e com as comunicações interrompidas.
Homens, mulheres e crianças permaneceram diante de suas casas destruídas à espera de ajuda governamental e internacional.
Pela manhã, o caos reinava em vários bairros da cidade devido ao excessivo tráfego de veículos, enquanto uma chuva fina caía e o céu permanecia cinza.
Dezenas de pessoas faziam filas diante de um supermercado para comprar água mineral e alimentos.
No bairro de Gaitán Alto, um dos mais atingidos pelo terremoto, um menino de três anos percorria com sua mãe as ruínas de sua casa, enquanto carregava em uma das mãos uma mamadeira.
Mulheres improvisaram cozinhas nas ruas para preparar café e alimentar suas famílias.


