Nigéria faz acordo para libertar meninas sequestradas
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sábado, 18 de outubro de 2014
France Presse 
Kano, Nigéria - Entre a incerteza e a cautela, familiares das mais de 200 jovens estudantes sequestradas esperavam ontem uma possível libertação, depois de a Nigéria ter anunciado na sexta-feira um acordo com o grupo extremista Boko Haram, autor do sequestro que comoveu o mundo. Autoridades do governo e militares nigerianos confirmaram um cessar-fogo com o grupo, que atua no norte do país.
O acordo incluiria a libertação das 219 jovens, sequestradas em abril, em uma ação que desencadeou uma campanha mundial (#BringBackOurGirls, Devolvam nossas meninas) que reuniu personalidades como a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, e a jovem prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, entre outras.
"Aceitaram libertar as meninas de Chibok", localidade do nordeste do país onde ficava a escola atacada, afirmou o secretário da Presidência nigeriana, Hasan Tukur.
O Chade, país que tem atuado como mediador no caso, confirmou que o cessar-fogo assinado prevê a libertação das estudantes. Segundo um comunicado do Ministério chadiano das Relações Exteriores, em troca, o governo libertará "alguns militantes do grupo que estão em prisões nigerianas".
Mas até o fechamento da edição, a conclusão do acordo ainda precisava ser confirmada pelo líder do Boko Haram, Abubakar Shekau.
Muitos analistas duvidam da credibilidade de Danladi Ahmadu, o homem que - segundo o secretário da Presidência nigeriana -, representou o Boko Haram nas negociações, e acreditam que, caso existisse a possibilidade de um cessar-fogo, Shekau teria anunciado.
Danladi Ahmadu se pronunciou sexta-feira em uma rádio do país, dizendo ser um dos chefes do grupo. No entanto, suas explicações sobre o estado das negociações foram vagas. Além disso, ele não mencionou as meninas sequestradas e afirmou que nunca havia se reunido com Shekau.
O governo e o Exército da Nigéria já anunciaram em diversas ocasiões o fim da insurreição armada, que nos últimos cinco anos deixou mais 10.000 mortos no país, assim como a libertação iminente das adolescentes.


