Muito jovem ao herdar o trono imperial, muito apaixonado pela mulher, para concentrar-se nos assuntos do Estado, influenciável para enfrentar as transformações do começo do século: o último czar da Rússia, Nicolau II, não estava preparado para exercer o poder.
Nicolau II, executado pelos bolcheviques junto com a família na noite de 16 de julho de 1918, está sendo enterrado hoje, 80 anos depois, na fortaleza Pedro e Paulo de São Petersburgo, onde repousam os outros czares da Rússia desde Pedro o Grande.
Seus biógrafos são numerosos e as análises que fazem sobre a psicologia do último czar variam muito.
Alguns afirmam que tinha uma real vontade de reformar a Rússia e uma certa lucidez política. Para outros era apenas um homem de caráter frágil.
Mas todos consideram que ante o comunismo nascente, a guerra desastrosa de 1905 contra o Japão e a Primeira Guerra Mundial, o czar não tinha as forças necessárias.
Nascido dia 6 de maio de 1868 em Zarskoye Selo, a residência dos czares perto de São Petersburgo, Nicolau II tinha 26 anos quando seu pai, Alexandre III, morreu, aos 49 anos de idade.
Em suas memórias, o cunhado, o grande duque Alexandre afirma que Nicolau lhe disse então: ‘‘Que será de nós, da Rússia? Não estou preparado para ser czar. Nunca quis sê-lo, nada sei sobre a arte de governar’’.
Na época, a principal preocupação de Nicolau era fazer a corte para Alexandra de Hesse, neta da rainha Victoria, com que se casou.
Esta esposa pouco mundana, pouco amada pelo povo, preocupada com os filhos e o marido, desempenhou um grande papel na vida de Nicolau II.
O esperado nascimento, depois, de quatro filhas, do czarevich Alexis dia 12 de agosto de 1904 marca outro episódio trágico na vida da família imperial. A hemofilia do menino transtornou os Romanov e acentuou as tendências histéricas de Alexandra.

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